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10.10.2008

Leite com melamina pode ter sido responsável

Três crianças com cálculos renais

Três crianças, com idades compreendidas entre os quatro e os sete anos, estão a ser seguidas nos serviços de Pediatria e de Nefrologia do Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de lhes terem sido detectadas pedras nos rins, durante as análises de despistagem efectuadas aos alunos dos estabelecimentos de ensino de Macau.
Os especialistas admitem que esses cálculos renais possam ter sido causados pela ingestão de leite contaminado com melamina, até porque as três crianças estavam abrangidas pelo "Plano de Leite", tendo consumido uma das marcas distribuídas nos estabelecimentos de ensino locais, pelos Serviços de Educação.
A dimensão dos cálculos renais é reduzida, de acordo com uma comunicado da Direcção dos Serviços de Saúde, o que excluiu a necessidade de uma intervenção cirúrgica, tendo sido adoptadas as medidas terapêuticas consideradas necessárias.
No entanto, como salienta a nota da DSS, Macau dispões dos meios necessários para tratar este tipo de casos, incluindo eventuais intervenções cirúrgicas.
A detecção dos cálculos renais, nas três crianças em causa, foi feita na sequência das análises de despistagem que abrangeram mais de 10 mil alunos dos estabelecimentos de ensino locais.

Autoridades chinesas revelam novo balanço

Casos triplicam

O número oficial de crianças hospitalizadas na China depois de terem ingerido leite contaminado com melamina chega a 47.000, anunciaram ontem as autoridades sanitárias chinesas.
No total, 10.666 crianças ainda permanecem internados depois de consumir essa substância tóxica, enquanto que 36.144 receberam alta. Aqueles números são três vezes superiores aos anteriormente revelados pelo ministério chinês da Saúde.
Na véspera, o governo chinês tinha-se negado a fornecer um novo balanço das vítimas da melamina, mantendo os dados de 21 de Setembro que falavam de 53.000 crianças intoxicadas, cerca de 10 mil quais tinham necessitado de tratamento hospital e quatro bébés mortos.

Outro alarme

Um medicamento injectável, feito à base de ginseng, provocou a morte a três pessoas, de acordo com a agência Xinhua. As autoridades procederam à recolha daquele produto, fabricado na província de Heilongjiang e utilizado em pessoas com problemas de fígado e rins. As vendas do produto foram suspensas, nas províncias de Heilongjiang e Yunan, as únicas regiões do país onde foram registados casos de reacção ao medicamento injectável.

Proprietários contestam prazo para a retirada de embarcações

IDM quer barcos fora do Clube Naval

O Instituto de Desporto decidiu fazer por obras de reparação no ancoradouro de Cheok Van e deu um prazo de 15 dias para a remoção das embarcações ali recolhidas. Os proprietários queixam-se de não terem sido ouvidos e de não lhes ter sido disponibilizado outro local para guardarem os seus barcos.

Rui Cid

Apesar de ter passado pelo território há mais de 15 dias, as ondas devastadoras do Hagupit ainda se fazem sentir. Na noite de 23 para 24 de Setembro, o mais forte tufão a atingir Macau nos últimos 15 anos deixou um rasto de destruição em vários pontos da cidade, estendendo-se, igualmente às ilhas. Em Coloane, na praia de Cheok Van, o Clube Náutico quase sucumbiu à fúria dos ventos. Várias embarcações ali guardadas foram engolidas pela subida do nível das águas. Umas sofreram danos profundos, outras perderam-se para sempre.
Atendendo aos estragos provocados nas instalações do Clube Náutico de Cheok Van (CNCV), o IDM decidiu encerrar o clube e avançar com obras de recuperação. Uma decisão que os proprietários das embarcações ali sedeadas aplaudem. O problema, dizem, está na forma como o Instituto está a conduzir o processo.
Numa notificação datada de 27 de Setembro, dirigida a todos os proprietários e a que o PONTO FINAL teve acesso, o IDM solicitava a todos os utentes do CNCV que procedessem à remoção de todas as suas embarcações dentro de 15 dias, a contar da data de recepção. Findo esse prazo, prossegue a carta, "as embarcações que permaneçam no local serão removidas, no estado em que se encontram, pelo Instituto de Desporto, para local a definir."
É este ultimato que os proprietários contestam e disso mesmo deram conta ao IDM, através de carta registada. Ao longo de 4 pontos, um grupo de 38 proprietários explica porque não aceita a "posição unilateral" daquele organismo. Para o grupo, o facto de o IDM ter enviado uma notificação para despejo sem, previamente, ter auscultado qualquer proprietário, demonstra, só por si, "má fé e uma atitude pouco conciliadora".
Na carta que o PONTO FINAL teve oportunidade de ler, o grupo avisa não pretende, retirar qualquer embarcação, quer sejam motas de água ou barcos, "a fim de evitar mais danos e prejuízos eventualmente decorrentes da sua deslocação" até que seja disponibilizado um espaço alternativo onde as embarcações possam ficar recolhidas.




IDM não recua

Com o prazo de 15 a terminar na próxima segunda-feira, o IDM não parece estar muito preocupado com esta situação. É isso, pelo menos, o que se depreende das palavras do vice-presidente do Instituto. Contactado pelo PONTO FINAL, José Tavares, foi lacónico: "Se os proprietários não retirarem as embarcações até ao final do prazo estipulado, o IDM tomará esse procedimento pelas próprias mãos", afirmou, recusando-se ainda se a revelar para que local serão os barcos transportados:"Quando o prazo terminar, todos serão informados."
O vice presidente do Instituto manteve o mesmo registo quando, perante aquela resposta, o PONTO FINAL quis saber se o IDM iria disponibilizar um espaço alternativo para os proprietários guardarem as suas embarcações, ou prestar qualquer de qualquer tipo de auxilio caso algum proprietário queira retirar a suas embarcações antes de segunda-feira: "Essa é uma responsabilidade dos proprietários".
Ainda assim, e perante a insistência do nosso jornal, José Tavares afirmou que, ao enviar a notificação, o objectivo do IDM era que os proprietários "se inteirassem do estado das suas embarcações, para, depois, não acusarem o IDM de as ter danificado ainda mais durante o transporte".
Justificando a máxima urgência trabalhos de limpeza e reconstrução das infra-estruturas do CNCV com motivos de higiene e segurança pública, José Tavares adiantou que o IDM irá registar fotograficamente o estado das embarcações, antes de proceder aos transporte."

Luta

Ao PONTO FINAL, um dos proprietários que pediu para não ser identificado, explicou que o grupo ainda acredita poder reunir com IDM - desejo expressado na carta enviada para o instituto - e assim encontrar uma solução que agrade a todas as partes. Caso isso não aconteça, o grupo está preparado para lutar com todas as forças.
"O IDM não tem o direito de remover os barcos sem nossa autorização e só a iremos dar quando tivermos a garantia que irá haver um espaço alternativo e que o nosso direito a ancorar as embarcações no Clube Náutico quando as obras de reconstrução estiverem terminadas, se manterá. Vamos lutar até às últimas consequências."

Secretário para a Economia e Finanças fala em estabilidade na indústria do jogo

Tam na cidade do optimismo

Os casinos em funcionamento em Macau não deverão ter problemas de sobrevivência, pelo menos durante os próximos meses. O sector está optimista, garante Francis Tam, que refuta que a nova política de importação de mão-de-obra possa ser um problema.

Isabel Castro

As receitas da indústria principal de Macau deverão manter-se estáveis ao longo dos próximos meses. A convicção é de Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, que assim comentou os números alcançados no mês passado pelo sector. Pela primeira vez desde a liberalização da indústria do jogo, em Setembro houve uma quebra de entre 3,5 a quatro por cento face ao mesmo mês de 2007, com as receitas a fixarem-se nos 6,9 milhões de patacas, segundo números provisórios avançados pela Agência Lusa.
“Pensamos que as receitas vão estabilizar neste nível, ou seja, à volta dos sete mil milhões”, explicou o governante. “Ficarão neste valor até ao primeiro trimestre do próximo ano”, disse ainda. E para os outros meses de 2009, quais são as previsões do Executivo? “Depois disso vamos ver”, disse, sem mais.
O secretário para a Economia e Finanças acredita que os sete mil milhões bastam para manter de portas abertas os casinos que actualmente a cidade tem. “Há alguns casinos ainda em construção, mas a nossa política de contenção já foi tornada pública. Não haverá uma expansão de casinos a breve trecho”, reiterou.
“O próximo casino será o Arco, mas depois haverá um certo período de tempo até à abertura do seguinte.” Certo é que, pelo que diz Tam, “não haverá inaugurações de casinos todos os meses ou em todos os trimestres”. E assim sendo, não há razão para que as salas de jogo em funcionamento neste momento não possam “sobreviver”. O governante diz que, até agora, “estão todos optimistas”.
Francis Tam acredita também que a nova política relativa aos recursos humanos “não será um problema” para os casinos existentes nem para os poucos que ainda não começaram a operar. No final da semana passada, o secretário anunciou medidas que vão resultar na diminuição da importação de mão-de-obra. Esta opção política visa três sectores, entre eles o do jogo.
As declarações do governante foram feitas à margem da cerimónia de entrega de prémios do concurso de desenho conceptual do pavilhão de Macau para a Expo 2010 e do concurso fotográfico e de recolha de fotografias “Lanterna do Coelhinho à Expo”. Foi Tam que entregou o prémio à equipa de arquitectos liderada por Carlos Marreiros, o vencedor do concurso para a concepção do pavilhão de Macau na exposição internacional de Xangai.

Ligações directas China-Taiwan afectam território

Macau com menos passageiros

O início dos voos directos entre Taiwan e a China está a afectar os resultados do aeroporto internacional de Macau, que encerrou Setembro a perder 13 por cento dos passageiros face ao mês homólogo de 2007.
Dados divulgados pela ADA, empresa que administra o aeroporto, indicam que em Setembro utilizaram o aeroporto 379.908 pessoas e que foram operados 3.752 movimentos de aterragem e descolagem, números que traduzem quebras homólogas de, respectivamente, 13 e 7,0 por cento.
As quebras verificadas reflectem o comportamento do mercado de Taiwan que, de acordo com dados a que a agência Lusa teve acesso, em Setembro de 2007 foi responsável por cerca de 1.840 movimentos no aeroporto de Macau, gerando a sua utilização por cerca de 220.000 pessoas, entre chegadas e partidas.
Já em 2008, os mesmos dados indicam que Setembro apresenta um comportamento bastante diferente com apenas 1.300 movimentos e a contabilização de 153.950 passageiros, ou seja, menos cerca de 540 movimentos de aterragem e descolagem e menos 66.050 passageiros oriundos ou com destino àquele mercado.
Os voos directos entre Taiwan e a China, em regime charter e apenas entre sexta e segunda-feira, tiveram início em Julho deste ano, no âmbito da nova política de Taipé de aproximação a Pequim.

Perdas significativas

No âmbito dos dados do terceiro trimestre, as perdas para Macau são ainda mais significativas já que entre Julho e Setembro de 2007, foram registados cerca de 687.350 passageiros oriundos ou com Taiwan como destino e 5.680 movimentos, enquanto que no mesmo período de 2008 os números desciam para 499.550 passageiros e apenas 4.050 voos, uma diminuição de 187.800 passageiros e de 1.630 movimentos.
Até Julho, Macau funcionou como uma das três principais plataformas para os passageiros de Taiwan que pretendiam chegar ao continente chinês ou em sentido contrário, mas o início dos voos directos provocou uma quebra significativa da procura.
Com o novo cenário dos voos directos entre Taiwan e a China, que até Dezembro deverão passar a diários em regime charter e em meados de 2009 a voos regulares, as previsões para o aeroporto de Macau indicam para 2008 uma meta ligeiramente superior a cinco milhões de passageiros. Em 2007, o aeroporto de Macau foi utilizado por 5,5 milhões de pessoas.

Inauguração de exposição e lançamento de livro de António Conceição Júnior

Da luz primeira e de outros limites

Há uma luz que é transversal, que não se prende a uma só realidade nem a um único credo. Que está para além de nós, antes e depois. Mas que se vê e se guarda. “Primum Lumen” é o mais recente trabalho fotográfico de António Conceição Júnior e é hoje mostrado ao público.

Isabel Castro

São imagens para ver de duas formas distintas: há uma exposição e também há um livro, ao qual se adicionaram palavras. Mas já lá vamos. Primeiro as imagens, em forma de fotografia, às quais António Conceição Júnior deu o nome geral de “Primum Lumen”. O artista plástico que prefere não ser catalogado como tal, mas sim como alguém que pratica arte, diz que “Primum Lumen” é porque “antes de mais, a luz como que preside a tudo, mostrando a realidade ou as suas aparências, consoante os credos ou modos como cada um olha para as coisas, ou vê.”
De onde vem essa Primeira Luz? De um ponto de vista semântico, responde Conceição Júnior, “existe mesmo uma consonância entre, por exemplo, o francês, o inglês, o português e, quero crer, o próprio sânscrito, na medida em que Buda não é se não ‘aquele que é plenamente desperto e iluminado’ e não o nome de Sidhartta Gautama”. Mais a Oriente, continua, “encontramos no símbolo do Taoísmo, o Tai Chi (Universo), a escuridão dentro da luz e a luz na escuridão, para já não falar de toda a iconografia cristã que nos é mais culturalmente familiar”.
Quando se fala em Luz Primeira referimo-nos “a um vastíssimo território comum que nos transcende porque já existia e continuará depois de nós, o que nos leva a completar o círculo enquanto reflexo das duas faces da existência: a vida e a morte”. O homem que, desta vez, recorreu à fotografia como forma de arte faz ainda alusão ao Big Bang, para sustentar que, “se entendermos por outro lado que o facto de a luz física, aquela que resulta das frequências visíveis e até invisíveis de ondas electromagnéticas que também são energia, então entramos num feixe de definições que não se contradizem, antes convergem”.
António Conceição Júnior entende não haver uma definição universal sobre essa tal luz que vem em primeiro lugar. “Acho que a poética dos conceitos não se reduz a inverdades ou a efabulações mas antes a hipóteses tão prováveis quanto nós quisermos que elas sejam”.

A lente acidental

Em “Primum Lumen”, assiste-se ao regresso da máquina fotográfica como meio de expressão. Foi “absolutamente acidental, ainda que ande quase sempre com uma maquineta”, explica o autor da exposição ao PONTO FINAL. “Há coisas que têm de ser muito verdadeiras. Aliás, o belo é substituível pela verdade e talvez por isso a melhor forma de representar a luz seja a ‘photos grafia’.” O recurso à objectiva não acontece, assim, por uma questão de conforto, mas de “oportunidade”.
Criador de espadas, jóias e desenhos, pintor, artista de muitas hipóteses de manifestação, Conceição Júnior conta que não estaria nos seus planos “pintar a luz”. E acrescenta: “O que tenho é estado alguns anos a pintar mentalmente, porque pintar é um investimento diferente e com outro tempo de feitura. Pintar exige praticamente dedicação completa e, para já, não gostaria de adiantar mais nada. Fala-se sobre o que é, não sobre o devir.”
“O que é” pode ser visto hoje, quando forem 18h30, no Clube Militar, na sala Comendador Ho Yin. A apresentação do álbum será feita por Luís Sá Cunha, em língua portuguesa, com Guilherme Ung Vai Meng a intervir em cantonês. O livro conta com textos de António Trindade, Pedro Tamen e Rui Cascais. “Resulta das leituras que cada autor fez das imagens, dando-lhes o significado que entendeu. E depois existem as imagens em si, independentes”, diz Conceição Júnior. “Pessoalmente gosto do resultado final, pela diversidade de interpretações, a convidar à subjectividade de cada leitor.”
“Primum Lumen” conta com o apoio do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e da Casa de Portugal em Macau.

Círculo dos Amigos de Cultura prepara ida a Cantão com mostra em Macau

De São Lázaro para a Ásia

São trabalhos que representam percursos e visões de artistas de Macau. Não são estreias mas contêm as identidades de quem os fez. O Círculo dos Amigos de Cultura vai a Cantão mostrar a arte que por cá se faz. Antes, partilha com os da casa.

Isabel Castro

É uma exposição que são duas mas, feitas bem as contas, até são três. Hoje à tarde, é inaugurada a primeira. É no Bairro de São Lázaro, na galeria do Albergue da Santa Casa da Misericórdia, e é composta pelos trabalhos de dez artistas. Para a semana há mais: são mais oito obras com diferentes assinaturas.
O conjunto total é a representação de Macau na 23ª Feira Internacional de Arte da Ásia, que se realiza este ano em Cantão. “Quando foi organizada pela primeira vez há 23 anos, eram apenas alguns participantes; agora, são 13 países e territórios de toda a Ásia”, explica em nota enviada à imprensa o Círculo dos Amigos de Cultura (CAC). “Os membros do CAC são artistas de diferentes nacionalidades, de culturas e línguas distintas; as suas formas de expressão são ricas e os seus estilos variados. No entanto, partilham a mesma paixão pela arte.”
Para James Chu, a participação na Feira Internacional não constitui uma novidade. Esteve em edições anteriores realizadas em Hong Kong, na Coreia, em Singapura. Desta vez “é mais perto”, mesmo aqui ao lado. “É sobretudo uma boa oportunidade para ficarmos a conhecer o que está a ser feito na Ásia em termos artísticos”. E para dar a conhecer Macau, claro está.
O artista plástico leva à capital de Guangdong uma das suas telas mais recentes, que fez parte da última exposição na St. Paul’s Art Gallery. É um quadro a preto e verde, técnica mista, que pode ser (re)visto hoje às 18h30. Ao lado estarão trabalhos de Bianca Lei, Carol Archer, Christopher Kit Kelen, Gigi Lee, José Dores, Li Li, Tong Chong, Un Chi Ian e – surpresa – de Yao Jing Ming. O poeta e tradutor aventurou-se em novas formas de expressão. “É um quadro abstracto, uma experiência diferente”, contou ao PONTO FINAL.
Mais do que a sua intervenção artística em formato de tela, interessa a Yao o significado da ida a Cantão no contexto geral. “Macau é uma cidade pequena, são poucas as pessoas que conseguem viver da sua arte. Esta é mais uma oportunidade.”

Uma nova dinâmica

Joey Ho fez uma viagem a Ocidente através da pintura e descobriu inscrições em paredes sobre a compaixão. O quadro que mostra no próximo dia 24 fez parte da exposição “Journey to the West” e tem a ver com os limites da comiseração.
O trabalho de José Drummond, que o público pode ver dentro de duas semanas, também não é uma novidade para quem segue com atenção a arte local. É um vídeo - “O Pintor” - já foi mostrado em Macau e também na Coreia. É uma peça “emblemática” do trabalho que faz e que gira em torno da questão da identidade, explica. “Jogo com a ambivalência entre o limpar de uma máscara e o mostrar de um novo eu, daquilo que há dentro de nós.”
Drummond observa a iniciativa do Círculo de Amigos de Cultura e fala numa “energia” em Macau que está a ter efeitos positivos no que à arte diz respeito. “Há, pelo menos, duas novas associações ligadas à cultura e o reanimar desta mais antiga. É como se houvesse uma atracção entre todos estes pólos e as coisas estão a acontecer”, analisa. É “um dinamismo muito positivo” aquele que o artista sente neste momento.
A par de Joey Ho e de José Drummond, a segunda pré-exposição no Albergue inclui obras de Anita Fong, Cora Si, Kent Ieong, Manuel C S, João Ó e Tong Jian Ying. Manuel C S e João Ó trabalharam em conjunto na construção de peças que agora voltam a exibir. “Fronteiras Sem Limites” é o nome de umas caixas de luzes que estiveram, há alguns anos, no Museu de Arte de Macau. “Cidade em Tempo de Luz” é uma estrutura metálica com “dois enormes painéis redondos no topo”. Na versão de estreia houve a projecção de um filme; desta feita, a estrutura será apresentada tal como ela é, sem elementos adicionais.
Para Manuel C S, que integra o CAC há pouco tempo, a exposição conjunta de artistas de renome e de outros da “nova vaga” adquire especial relevância. O local onde as duas mostras locais acontecem também. É dar vida ao bairro que se afirma cada vez mais criativo.

Mundial feminino de Hóquei em Patins

Macau perde com África do Sul

A selecção feminina de hóquei em patins de Macau iniciou, com uma derrota, a fase final de grupos do Campeonato do Mundo da modalidade, que está a decorrer na cidade de Akita, Japão.
A equipa orientada por Alberto Lisboa perdeu por 5-0 face à África do Sul, repetindo-se assim o resultado já verificado há dois anos no Mundial do Chile.
As meninas do hóquei da RAEM ainda não conseguiram marcar qualquer golo na prova nipónica e essa é agora uma das principais apostas para os dois últimos jogos, que vão definir a classificação final. Dificilmente Macau fugirá ao derradeiro posto do campeonato, restando-lhe defrontar a India e a equipa da casa, Japão.
De referir que a selecção macaense apresentou uma baixa de vulto na partida diante das sul-africanas, a guarda-redes Liliana Bouça, lesionada num pulso. Foi substituida por Michelle Ritchie.
Macau defronta hoje a Índia e amanhã o Japão, no último dia do Mundial.
Recorde-se que o “cinco” do território sofreu duas pesadas derrotas na primeira fase da prova, 32-0 face à Argentina e 31-0 no confronto com a Alemanha - duas equipas que são sérios candidatos ao título, ao contrário de Portugal, que exibiu um hóquei de fraca qualidade e sentiu grande problemas para vencer o Japão, por 3-1.
A selecção portuguesa jogava os quartos-de-final com a Alemanha, enquanto a Argentina já tinha superado a França pela margem minima (3-2), qualificando-se assim para as meias-finais.
Nos restantes desafios os Estados Unidos ganharam ao actual campeão,Chile, por duas bolas a uma. Faltava disputar também o encontro entre Inglaterra e Espanha. V.R.

Dissidente chinês é candidato forte

Nobel pouco pacífico

O governo chinês insurgiu-se ontem contra a possibilidade de o Prémio Nobel da Paz ser atribuído ao dissidente Hu Jia, afirmando que isso seria "uma grosseira ingerência nos assuntos internos da China".
Hu Jia "cometeu o crime de subversão" e "foi condenado", realçou o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios estrangeiros. "Premiar este tipo de pessoas seria uma grosseira ingerência nos assuntos internos da China" e "contrariaria o propósito do Prémio Nobel", acrescentou.
O Prémio Nobel da Paz 2008 será anunciado hoje, em Estocolmo.
Segundo recentes especulações, este ano poderá ser distinguido um activista dos direitos humanos para assinalar o 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos da ONU, assinada em Dezembro de 1948.
Hu Jia, um dos mais conhecidos dissidentes chineses, foi condenado em Abril passado a três anos e meio de prisão por "incitamento à subversão do poder de Estado".
Formado em engenharia de informação pela Escola de Economia de Pequim, Hu Jia, 35 anos, tem-se destacado pelas suas tomadas de posição a favor dos direitos políticos, do ambiente e dos doentes com Sida.
Numa carta difundida há cerca de um ano, sobre os Jogos Olímpicos de Pequim, Hu Jia afirmou que na China "não há eleições, nem liberdade religiosa, tribunais independentes, ou sindicatos independentes".

Resíduos industriais provocam intoxicação na China

Água contaminada

Mais de 200 pessoas ficaram envenenadas na província de Guangzi, no sul da China, por terem bebido água contaminada com arsénico, afirmou a agência Xinhua. Dezanove dos envenenados continuam em hospitais da zona apesar de apresentarem melhoras, explicou um porta-voz da cidade de Hechi.
Sexta-feira, residentes de Hechi começaram a mostrar sintomas de envenenamento, como enjoos, vómitos e visão turvada, foram submetidos a análises e posteriormente foi-lhes diagnosticado uma quantidade anormalmente elevada de arsénico.
“Os cidadãos foram levemente envenenados. Poderão recuperar num prazo de entre nove e 15 dias”, confirmou Ge Xianmin, chefe do Instituto de Prevenção Médica da província de Guangxi.
As investigações realizadas pelas autoridades concluíram que a água consumida pelos cidadãos estava contaminada por resíduos industriais procedentes de uma metalúrgica próxima, que entretanto foi encerrada.
De acordo com o governo regional, as chuvas torrenciais de finais de Setembro, provocadas pela passagem do tufão Hagupit, provocaram o derrame de águas industriais e a contaminação dos poços próximos.

Editorial

Clareza

Depois de rebentar o escândalo do leite contaminado com melamina, o governo de Pequim não poupou esforços para restaurar a confiança dos consumidores.
Milhares de inspectores foram despachados para os quatro cantos do país, para verificar as condições de sanidade de centros de produção de leite e fábricas de produtos alimentares.
Embora isto traduza uma política de "Casa roubada, trancas à porta", como diriam os mais cépticos, é melhor tarde do que nunca. Mesmo que tenham sido as circunstâncias que obrigaram o governo chinês a actuar.
Há pouco tempo soube-se algo de que já se suspeitava: as autoridades provinciais tiveram conhecimento de denúncias de contaminação do leite, no princípio deste ano, e abafaram o caso, para não perturbar o bom andamento dos Jogos Olímpicos. A notícia fez rolar cabeças e levou à demissão de uma série de responsáveis políticos.
Agora, vieram a público novos dados sobre a dimensão do escândalo. O total de crianças afectadas é três vezes superior ao inicialmente revelado. Perto de 50 mil tiveram necessidade de tratamento hospitalar e cerca de 10 mil permanecem internadas.
Perante isto, os esforços do governo para tranquilizar a população e os importadores de produtos alimentares fabricados na China terão um escasso resultado. Por mais inspecções que se façam, ficará sempre no ar a sombra da suspeita, a dúvida sobre o que se passa, na realidade.
Ainda por cima, esta não é a primeira situação em que a qualidade dos produtos fabricados na China é posta em causa, pela ganância do lucro e por indivíduos sem escrúpulos, que se aproveitam de um controle pouco eficaz por parte das autoridades.
Neste tipo de casos, a verdade é sempre a melhor política. Mesmo que seja dolorosa e, por vezes, difícil de aceitar, é a única forma de restabelecer a confiança.

Paulo Reis

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