10.29.2008

Editorial

Momentos

Em qualquer debate, há regras a respeitar. As fundamentais, estão estabelecidas na lei e colocam limites ao que se pode dizer de um adversário ou de quem discorde de nós. São regras bastante claras, que definem os termos de uma discussão pública, em qualquer matéria.
Mas o momento que se escolhe para abordar uma questão ou levantar um assunto de interesse público é algo que a própria sociedade regula. Se a questão interessa, tem resposta. Se não é momento adequado ou se o assunto não está nas preocupações do cidadão, o debate morre aí.
A melhor forma de se avaliar o peso que uma questão tem, para a sociedade, é colocar essa mesma questão na chamada praça pública.
Haverá quem discorde, não só da questão em si, mas também do momento. Nada de mais legítimo, desde que essa discordância seja factual, clara e explícita, quer sobre o assunto, quer sobre a sua lógica temporal.
Deixar nas entrelinhas suspeitas sobre intenções algo obscuras mas classificadas como reprováveis, quando alguém aborda um assunto, publicamente, é levar o debate para uma área complicada.
Num raciocínio levado ao absurdo, isso obrigaria a definir uma espécie de "calendário", onde fossem assinalados os períodos de tempo em que a abordagem de um determinado assunto seria considerada legítima e destituída de objectivos maquiavélicos.
Não respeitar esse momentos seria qualquer coisa a roçar a ilegalidade, retirando o direito à discussão e ao debate. Não me parece que esta hipótese, mesmo encarada como uma simples ginástica mental, venha trazer algo de positivo para Macau.
É um facto que pode ser incómodo, para um responsável governamental, estar a falar-se no seu sucessor, quando esse responsável ainda tem bastantes meses de governação pela frente.
Mas perante a inevitabilidade da sua sucessão, argumentar que o momento não é próprio, deixa no ar uma questão complicada: quem dá o tiro de partida e "autoriza" que se comece a discutir o perfil e as hipóteses de nomes, em relação ao próximo Chefe do Executivo?

Paulo Reis

Deputados duvidam da necessidade de agravamento das penas

Lei da droga não convence

É mais um diploma apresentado pelo Governo que deixa muitas dúvidas à Assembleia Legislativa. Começaram ontem os trabalhos em sede de comissão da chamada lei da droga, proposta que vem endurecer as penas de prisão para consumidores e traficantes de estupefacientes. Os deputados querem razões plausíveis para deixarem o articulado seguir. É que a prisão “só faz mal”.

Isabel Castro

É o espírito ressocializante a ser chamado à colação, em detrimento da punição que pode ser gratuita, por excessiva. A 2ª Comissão Permanente da Assembleia Legislativa (AL) tem sérias dúvidas acerca das razões que fizeram o Governo avançar com uma proposta de lei de combate aos estupefacientes que contempla molduras penais bastante mais duras do que as vigentes.
Os deputados entendem não existir uma correspondência entre a realidade e as justificações apresentadas pelo proponente. Por isso, vão ouvir o Governo, numa reunião que deverá acontecer já para a semana. Querem ainda saber o que têm a dizer as associações que trabalham no quotidiano com os toxicodependentes e que conhecem bem a realidade local.
“Verificámos nesta proposta que houve uma significativa alteração em termos de política criminal”, começou por explicar Fong Chi Keong, presidente da comissão encarregue de analisar a proposta de lei que dá pelo nome de “proibição da produção, do tráfico e do consumo ilícitos de estupefacientes e de substâncias psicotrópicas”. “Na nota justificativa, refere-se que as actividades relacionadas com a droga tendem a subir. Mas trata-se essencialmente do tráfico de quantidades diminutas por indivíduos de passagem por Macau”, sustentou o deputado.
A Assembleia quer dados que lhe permitam decidir da necessidade real do aumento das molduras penais. “Será que a situação é assim tão grave?”, perguntou o presidente da comissão, dando a entender não acreditar na seriedade da situação, pelo menos tal qual ela é descrita na proposta elaborada pelo Governo.
Fong aposta mais na via ressocializante pela qual se rege o Direito Penal de Macau, até porque a lei em causa poderá ter consequências relevantes para os jovens do território: “Há muitas razões que levam os jovens a consumir drogas. Às vezes é só para experimentar... Temos que dar oportunidades aos jovens, reforçar a educação e a sensibilização. A proposta de lei não contempla nada disto.”
O articulado em causa termina com o tipo legal do traficante de quantidades diminutas e coloca todos os acusados de tráfico no mesmo saco, ou seja, dentro de uma só moldura penal. Na lei em vigor, o traficante de quantidades diminutas (aquele que vende apenas para poder consumir) não pode ser condenado a mais de dois anos de prisão. O novo diploma, a ser aprovado tal como está, coloca este traficante ao mesmo nível daqueles que o são com outros objectivos e quantidades de estupefacientes. Caberá ao juízes encontrar a pena adequada em molduras que a proposta de lei aumenta significativamente.
Para Fong Chi Keong, “a lei deve ser clara” nesta matéria: “As molduras penais são excessivas, vão de três a 12 anos e de um a oito. Fica, assim, ao critério dos juízes. Porque há esta diferença tão grande?”, questionou, reflectindo assim mais um dúvida da comissão. Na conferência de imprensa depois da reunião da comissão, o deputado fez ainda comparações com outros crimes e respectivas penas, para concluir que é necessária uma “harmonia” entre os diferentes delitos e respectivas punições dentro do mesmo ordenamento jurídico.

Nas mãos da polícia

Embora tenha afastado a hipótese de descriminalização das chamadas drogas leves, porque as “organizações internacionais indicam que o consumo prologando faz mal”, o presidente da Comissão Permanente relativizou a seriedade do consumo de estupefacientes em Macau, defendendo que “a pena de prisão só traz malefícios”. “Não é um crime grave, está classificado em 10º ou em 11º lugar na tabela de crimes”, sublinhou. “Tenho amigos no Canadá que fumam haxixe como se fosse um medicamento, em pequenas quantidades. Ninguém liga”, contou. Ora, a realidade local demonstra que o Governo de Macau tem outra percepção da questão: quer aumentar a pena de prisão dos actuais três meses para meio ano.
Para o deputado, no actual decreto-lei sobre a matéria “as penas não são leves”. No estilo que lhe é bem característico, Fong deixou uma sugestão à polícia – “Faça mais diligências, investigue mais, aplique a lei em vigor”. Pelos vistos, até os deputados sabem onde anda este tipo de crime. “É nos estabelecimentos nocturnos que se consomem drogas.”
A Assembleia Legislativa parece assim ir ao encontro de quem lida de perto com os toxicodependentes de Macau. Desde que a proposta de lei em causa foi apresentada, foram já algumas as vozes que se manifestaram contra o endurecimento da lei. Alegam que a actual já é demasiado punitiva e defendem que os esforços governativos se deveriam concentrar na prevenção.
Noutra perspectiva, as dúvidas dos deputados surgem numa óptica bem distinta da do Gabinete do Procurador da RAEM, que já afirmou publicamente ser favorável a uma revisão da lei vigente. Ho Chio Meng não faz a mesma leitura de Fong Chi Keong, pois considera preocupante a situação actual de Macau no que à droga diz respeito.

Especialista em crioulos de base portuguesa optimista

Patuá pode ser património da UNESCO

O reconhecimento do patuá como uma tradição oral de Macau pela UNESCO “tem viabilidade” mas a sociedade tem de garantir o seu futuro como património da cidade, defendeu Alan Baxter, um australiano especialista em crioulos de base portuguesa.
"Há hoje o teatro em patuá, há tradições orais de versos que precisam de ser reactivados, há músicas documentadas e neste plano a Escola Portuguesa, por exemplo, poderia desempenhar um papel fundamental na divulgação do crioulo de Macau e promover a sua continuidade no futuro", disse Alan Baxter, que é também director do departamento de português da Universidade de Macau.
Alan Baxter liga uma candidatura à UNESCO com o papel das instituições de ensino porque, explicou, "é preciso demonstrar a tradição oral, a continuidade e que a comunidade é capaz de promover e garantir a manutenção do crioulo, implementando actividades de conservação e formação".
O mesmo responsável sustenta que o patuá "precisa de mais espaço" e que a Escola Portuguesa de Macau poderia desempenhar essa função de alargar horizontes com coisas simples no seu jornal, nas suas actividades extra-curriculares ou inserido numa disciplina vocacionada para as artes ou letras.

Base de dados

Enquanto a comunidade estuda e prepara a candidatura do patuá a património oral da UNESCO, Alan Baxter lidera uma equipa que desenvolve um projecto de recolha de materiais escritos e orais para uma base de dados do crioulo local.
"A finalidade deste primeiro projecto é criar um portal acessível a todos, um portal semi-didáctico de interesse para o leigo e para o investigador", explicou.
Estes crioulos estão localizados na Índia em Damão, Diu e Korlai, na Malásia em Malaca, e na China em Macau.
O académico australiano, reconhecido como um dos mais importantes especialistas em crioulos de base lexical portuguesa, explica que o trabalho não é fácil.
Sobretudo, a situação do Sri Lanka é mais complicada, explicou Alan Baxter à Lusa, devido às dificuldades de contacto com as comunidades de Trincamalee e Baticaloa, situadas na costa oriental e sob domínio tamil.
"Depois em 2004 aconteceu o tsunami que afectou vários países da Ásia entre os quais o Sri Lanka, e sendo estas comunidades costeiras não há informação sobre o que aconteceu", disse.
No entanto, Alan Baxter mantém viva a esperança de conseguir "estudar a tipologia linguística destes crioulos para poder comparar e compreender melhor o seu desenvolvimento e até ligação".
"Há características em todos estes crioulos de base lexical portuguesa na Ásia que só podem ter vindo da Índia e aqui olhamos para o mapa dos Descobrimentos e percebemos que os crioulos foram sendo implantados e desenvolvidos com as transferências a partir da Índia, e de entreposto para entreposto, de grupos de pessoas relacionadas com o comércio e a administração do Estado", explicou.

Secretário para a Economia anuncia medidas para o sector bancário

Macau sem crise mas com depósitos garantidos

O Governo de Macau vai garantir todos os depósitos bancários, bem como disponibilizar crédito e capital aos bancos locais, caso a crise do sector financeiro tenha repercussões no território. São apenas medidas preventivas, sublinhou Francis Tam. A banca local continua saudável, garantiu o governante.

Isabel Castro

Não há crise à vista em Macau, mas o Governo da RAEM acredita que mais vale prevenir do que remediar. É uma questão de “aumento da confiança” e tem também em consideração medidas tomadas por outros Executivos. O secretário para a Economia e Finanças anunciou ontem que o Governo vai garantir todos os depósitos bancários da RAEM, assim como disponibilizar crédito e capital aos bancos locais.
Ao todo, há 260 mil milhões de patacas nos bancos do território, sendo que 40 mil milhões são no regime de off-shore, montante não incluído nas garantias dadas pelo Governo.
Segundo explicou Francis Tam, caso haja necessidade de uma intervenção governamental, esta será feita recorrendo a reservas em divisas estrangeiras de 120 mil milhões de patacas. As autoridades têm ainda saldos positivos acumulados que, adiantou o secretário para a Economia e Finanças, deverão ser da ordem dos 80 mil milhões de patacas no final deste ano.
“O Governo espera que a população de Macau mantenha a confiança no sistema bancário. Estas medidas são meramente preventivas e não significam que haja qualquer problema com os bancos do território”, vincou Tam.
O secretário revelou as medidas numa conferência de imprensa agendada para o final da tarde de ontem, convocada apenas trinta minutos antes. Há alguma razão concreta para o anúncio de emergência do Executivo? O governante jurou a pés juntos que não há situações que inspirem preocupações, dizendo ainda ser pouco provável que haja necessidade de intervenção do Governo.
O pacote de medidas ontem anunciado entra imediatamente em vigor e mantém-se até ao final de 2010. Nessa altura, será repensada a necessidade de manutenção deste esquema de apoio.

Hong Kong no mesmo sentido

O anúncio de Francis Tam foi feito algumas horas depois de o Governo de Hong Kong ter avançado com uma medida semelhante. Segundo a imprensa da região vizinha, o secretário para as Finanças, John Tsang, anunciou a garantia de todos depósitos no território até 2010, uma medida que visa criar confiança no sector.
O governante revelou também que o Executivo de Donald Tsang avançou com um novo sistema que permite aos bancos locais terem acesso a capitais extraordinários, à imagem do que tem vindo a acontecer, nos últimos dias, em alguns países europeus.
Tsang disse ainda que vai ser criado um banco que permita disponibilizar capitais adicionais a instituições bancárias locais no âmbito das regras de supervisão bancária.
Tal como Francis Tam, também o secretário da antiga colónia britânica afastou cenários de crise na região. “Devo salientar que não existe qualquer problema sério no sector bancário”, disse.
Joseph Yam, o presidente da Autoridade Monetária de Hong Kong, acrescentou que a possibilidade de os bancos locais recorrerem ao fundo de emergência é “muito baixa” uma vez que o sector continua numa situação “sólida”. O mesmo responsável disse que o dinheiro envolvido neste esquema “não é muito”, mas não forneceu valores concretos. “Há medidas extraordinárias que são necessárias em alturas extraordinárias”, referiu Yam, em conferência de imprensa.
O sector bancário de Hong Kong é uma das áreas mais importantes do centro financeiro do vizinho território, com o gigante HSBC a liderar o mercado, composto por 23 instituições.

Leis eleitorais para a Assembleia Legislativa e Chefe do Executivo entram hoje em vigor

Quase tudo na Internet

Isabel Castro

Sabe se está recenseado? Os seus dados pessoais estão correctos? Já não se recorda de como foram as eleições para a Assembleia Legislativa em 2005? A partir de hoje, há um conjunto de informações na Internet sobre os actos eleitorais do próximo ano. A estreia do site, em www.elections.gov.mo, acontece no dia em que entram em vigor os diplomas referentes à escolha dos deputados e do Chefe do Executivo.
As leis eleitorais para a Assembleia Legislativa e para o Chefe do Executivo foram revistas e não há alterações profundas em termos de filosofia política, mas os “aperfeiçoamentos” de que foram alvo levam o Governo a querer que a população esteja bem informada sobre as regras do jogo. Ontem, os Serviços de Administração e Função Pública (SAFP) chamaram os órgãos de comunicação social para passar em revista as modificações legislativas.
O Executivo decidiu avançar com medidas que visam facilitar o recenseamento eleitoral. Os cidadãos que reúnam os requisitos necessários para poderem votar têm que se inscrever até ao dia 31 de Dezembro deste ano. Os detentores do Certificado Electrónico Qualificado podem subscrever o pedido de inscrição através da Internet, já a partir de hoje. Foi também contemplada a possibilidade de consulta on-line da inscrição no recenseamento eleitoral.
No próximo mês, vai haver um posto móvel de recenseamento junto de 25 pontos de Macau, de forma rotativa. O SAFP previram a disponibilização de um serviço de inscrição colectiva mediante marcação prévia para as colectividades com um número de pessoas superior a cem, um serviço de marcação prévia destinado a pessoas idosas ou com deficiências (para que possam efectuar a inscrição em casa) e vai colaborar com as escolas para proceder à inscrição dos estudantes que satisfaçam os requisitos exigidos para o recenseamento eleitoral.
Quanto às alterações da legislação ontem reiteradas pelos SAFP, e começando pela Lei Eleitoral para o Chefe do Executivo, destaque para o reforço das competências da Comissão de Assuntos Eleitorais e da publicação da data das eleições o mais cedo possível “para facilitar os candidatos”. De recordar que houve um agravamento das penas para actos ilícitos eleitorais, tendo-se definido a possibilidade de não punição ou de atenuação no caso de o agente auxiliar na recolha de provas decisivas para o apuramento do crime.
Houve um endurecimento das penas também no âmbito da Lei Eleitoral para a Assembleia Legislativa, estando em curso preparativos para fazer face ao fim da determinação do local de voto dos eleitores com base no número de inscrição no recenseamento eleitoral. Entre as medidas pensadas para facilitar o direito ao voto, os SAFP decidiram encerrar as assembleias de voto mais tarde, às 21h00.

CEEDS divulga resultados de "análise preliminar" da consulta pública

Conceitos para Macau

Olhar para as regiões vizinhas na hora de crescer, melhorar os transportes públicos, apostar nas industrias criativas e controlar a "qualidade da população emigrante", são os rumos que a maioria da população defende para o desenvolvimento do território.

Depois de meses de reuniões, sessões de esclarecimento e seminários, o período de consulta pública sobre o plano conceptual para o desenvolvimento urbano do território chegou ao fim. É, então, tempo de dar voz às opiniões e sugestões expressadas pela população local.
Após uma "analise preliminar dos dados recolhidos", o Centro de Estudos Estratégicos para o Desenvolvimento Sustentável decidiu ontem fazer um ponto da situação. Em nota à Imprensa, o centro explica que as opiniões recolhidas se dividiram por seis áreas: cultura, economia, população, trânsito, ambiente, e participação pública na administração do território.
Assim, e de acordo com o CEEDS, a maioria da população considera que o desenvolvimento urbano de Macau dever-se-á fazer tendo em conta a coordenação regional, nomeadamente com Hong Kong, Guangzhou e Zhuhai.
Segundo o CEEDS, a maioria dos residentes é da opinião de que o território deve manter a actual estrutura de indústria diversificada mas também tentar criar nos bairros típicos outras indústrias criativas, relacionadas com a história, cultura e tradição locais. Por outro lado, as zonas históricas da Taipa e de Coloane devem ser "restauradas e embelezadas, para realçar as suas características urbanas e industriais únicas".

Trânsito importante

Questões relacionadas com o trânsito assumiram, avança o CEEDS, grande importância nas opiniões da população. Segundo os dados já analisados, os residentes esperam que os serviços de transportes públicos e de táxis sejam melhorados e possam ser um complemento eficaz do futuro sistema de metro ligeiro.
Outro tema que não passou ao lado dos cidadãos prende-se com a "estratégia para a população". De acordo com o CEEDS, a maioria das opiniões analisadas defende que "deve ser estritamente controlada a qualidade da população imigrante, e procurar não só atrair profissionais e técnicos habilitados do exterior como também tomar medidas para trazer de volta a Macau os residentes qualificados que estejam a estudar ou a trabalhar no exterior"
Recorde-se que a consulta pública da “Estrutura do Plano Conceptual para o Desenvolvimento Urbano de Macau” terminou no final de Setembro. No decurso do processo de consulta, o CEEDS recolheu um grande número de opiniões e sugestões através de reuniões públicas de consulta, conferências, seminários e painéis de discussão, bem como através do seu website. Além disso, recebeu 67 propostas por escrito, de associações e de residentes em nome individual, e ainda 110 opiniões e pedidos de esclarecimento por telefone. A estes dados somam-se mais de 2.000 fichas de opinião, que estão actualmente a ser compiladas, para posterior publicação e divulgação.
De igual modo, o CEEDS está a proceder à revisão da “Estrutura do Plano Conceptual para o Desenvolvimento Urbano de Macau” com base nas opiniões dos residentes, bem como nas sugestões de peritos e estudiosos de diferentes regiões. A versão final do Plano Conceptual será apresentada ao Chefe do Executivo, como elemento de referência importante na implementação dos planos de acção governativa.

10.28.2008

Editorial

Investigar

O caso Ao Man Long, ao que parece, será uma procissão que ainda está no adro. Já se sabia que, para além do processo em que o ex-secretário foi condenado, havia outras investigações em curso. A fortuna amealhada por aquele responsável, ao longo de vários anos, deixou um rasto aparentemente fácil de seguir, uma vez que o próprio Ao Man Long anotava, metodicamente, os contactos que fazia e as quantias que estavam em jogo, com detalhes mais do que suficientes para permitir identificar os intervenientes.
A revista "Macau Business", na sua última edição, levanta algumas pontas desse véu, adiantando pormenores de um relatório do Comissariado contra a Corrupção, onde se faz um levantamento minucioso das informações resultantes da investigação.
Pela leitura do que ali está escrito se pode concluir que o ex-governante nem sequer se preocupava em esconder as suas actividades à margem da lei. As notas citadas no relatório do Comissariado contra a Corrupção - e referidas no artigo da "Macau Business" - dão conta de projectos, valores, nomes de empresas, nomes de empresários e as "percentagens" cobradas.
Torna-se claro que, a partir de dado momento, Ao Man Long se sentiu de tal forma seguro e fora do alcance da Lei, que nem se preocupou com o facto de estar a assinar uma autêntica confissão, em cada apontamento que tomava.
O poder tem destas coisas, quando sobe à cabeça das pessoas. Felizmente que a sensação de impunidade de Ao Man Long não passou disso mesmo - uma mera sensação, desmentida pela realidade.

Paulo Reis

O homem que sabe de Singapura

É, certamente, o português mais conhecedor da realidade económica de Singapura e Malásia. Esteve, está e quer continuar a estar em diversos negócios. Uma embaixada dava muito jeito.

João Paulo Meneses
putaoya@hotmail.com

Numa altura em que se assinala o primeiro ano de funcionamento do Centro de Negócios portugueses em Singapura, promovido pelo AICEP (antigo ICEP), importa contar a história da pessoa que, antes do governo e privados pensarem em Singapura, mais se interessou por levar empresas portuguesas para esse país e, como veremos adiante, com sucesso, empresas de Singapura para Portugal.
Há vários anos que João Santos Lucas é o "embaixador" dos negócios portugueses em Singapura, tendo começado por interesse próprio e sem apoios. Santos Lucas recorda que, quando se iniciou, através do vinho português, "aproveitando todas as oportunidades desde feiras, provas de vinhos em clubes, promoções de eventos", organizou "uma quinzena de Portugal num muito conhecido hotel com a participação de um chefe e um enólogo vindos de Portugal que orientaram seminários sobre vinhos e culinária portuguesa e deram entrevistas na rádio e televisão. Iniciativas que não tiveram quaisquer apoios financeiros por parte do Estado português".
Alguns anos passaram e Singapura (tal como a Malásia) é hoje um mercado muito mais importante. Mas onde Portugal não tem embaixada.
A abertura, há um ano, de um Centro de Negócios, que se preocupa com os mercados de Singapura, Japão, Coreia do Sul e Malásia (além de procurar acompanhar de perto a evolução no Vietname e Tailândia bem como de outros países do sudeste asiático) é um sinal de que as coisas estão a mudar.
Ainda assim, são raras as empresas portuguesas presentes realmente em Singapura, mas um dos grandes negócios realizados em Portugal nos últimos anos tem uma empresa de Singapura: o envolvimento da Port of Singapore Authority (PSA) no Porto de Sines.

Sensibilizar as elites

João Santos Lucas, que vive em Singapura desde meados desta década, é gestor e conselheiro para os Assuntos do Sudeste Asiático. Trabalha com empresas e instituições portuguesas mas também aconselha clientes da região que tenham interesses em Portugal.
AO PONTO FINAL Santos Lucas explica que "a minha acção na Ásia tem-se desdobrado em muitas outras direcções. Dei apoio à AEP na organização de missões de empresas portuguesas a Singapura e de empresas de Singapura e da Malásia a Portugal. Tenho desenvolvido projectos com empresas locais para introduzir produtos portugueses na China. Tenho levado a cabo a pesquisa de produtos para empresas portuguesas e dos PALOP. Identifiquei oportunidades de investimento para empresas portuguesas. Uma das mais importantes empresas de Singapura veio a interessar-se por um importante projecto nacional".
Além desta actividade, o economista mantém uma ‘frenética’ iniciativa na blogosfera, onde alimenta blogues sobre as relações de Portugal com os diversos países da região ("o objectivo consiste em contribuir para a tomada de consciência das elites portuguesas face ao desenvolvimento das ásias bem como a promover as relações políticas, económica s e culturais entre Portugal e os países asiáticos" e assina, há dois anos, crónicas regulares no Diário Económico, sobre, precisamente, a realidade do Sudeste Asiático, em concreto Singapura e Malásia. Num desses artigos podia ler-se que "as exportações para a Malásia tiveram um crescimento de 660%, em relação a igual período do ano passado, e seguem um padrão de exportações semelhante ao de Singapura, já que 87% são produtos electrónicos, entre estes circuitos integrados. A exploração de outros mercados, por parte das empresas portuguesas, só teria a ganhar com a abertura duma Embaixada nestes países e com o desenvolvimento duma forte articulação com a nossa diplomacia".

Do vinho ao software

No princípio foi realmente o vinho. Santos Lucas recorda que, na região onde opera, no início desta década, "a imagem de Portugal em Singapura era ténue e negativa, associada em larga medida ao processo de independência de Timor Leste a que a ASEAN se opunha por solidariedade com a Indonésia. Havia o passado colonial e Malaca e tudo o que de positivo e negativo a imaginação popular se lhes associa".
Para tentar mudar esta realidade, havia que "introduzir o nosso país pela positiva, com algo que despertasse a curiosidade, o interesse e o prazer em partilhar algo português". O vinho, portanto. Santos Lucas começou então a mostrar o vinho português em feiras, exposições e pequenas mostras realizadas com o seu empenho e o de alguns produtores portugueses. "Esta estratégia manteve-se com a participação nas competições e nas feiras do sector como a Wine for Asia e a Food Hotel Asia. O pavilhão de Portugal na Wine for Asia 2007 mereceu tal destaque que a empresa local que o concebeu e produziu veio a adquirir o próprio certame".
Hoje já outras empresas portuguesas em Singapura e Malásia, com destaque para a Altitude Software, que abriu um escritório no primeiro desses países, virado para a região Ásia-Pacífico. Há também negócios com a Efacec, com construtoras ou com software de saúde. Mas o vinho continua a ser o mais dinâmico.
Num recente relatório do Instituto Nacional de Estatística, sobre comércio extra-comunitário, podia ler-se que "Singapura, permanece como o mais importante país de destino na sub-região e o 3º em termos globais, apenas ultrapassado pelos Estados Unidos e Angola". Já a "Malásia tornou-se o 4º principal país de destino extra-UE para os bens nacionais, em termos globais, e o Japão o 5º país de destino" (dados relativos a 2007).

Viver em
Singapura

A ligação de João Santos Lucas à região começou, de forma indirecta, quando fez estudos pós graduados na Universidade de Minnesota, no princípio dos anos 80. "Os meus amigos mais chegados eram do Japão, Coreia do Sul, Singapura, Malásia, Índia e Paquistão. Alguns norte-americanos também. Algumas dessas amizades mantiveram-se activas, com potenciais benefícios para Portugal". Depois, em 1983, visitou Singapura "e fiquei rendido. A Ásia passou a deter uma importante parte das minhas leituras e análises comparativas".
Santos Lucas regressou a Portugal, onde desenvolveu actividades em empresas e deu aulas, mas "há cerca de dez anos os laços com a Ásia estreitaram-se por casamento com uma cidadã de Singapura. Passei a fazer parte de uma família numerosa cujos membros são de origem indiana, chinesa e malaia. Desde então fui fazendo a minha integração nas sociedades de Singapura e da Malásia, nas diversas culturas, nas redes de amigos, de profissionais e de empresários. E, apesar da distância e das limitações físicas, fui tomando iniciativas promovendo em Singapura quer a imagem de Portugal quer a dos produtos portugueses de qualidade, potenciando ao máximo o período de férias de que dispunha com o apoio local". Em 2002, no âmbito do Trade and Development Board (hoje denominado International Entreprise Singapore) "fui co-organizador da primeira missão comercial de Singapura a Portugal, em 2002, tendo já então envolvido a AEP".
Em meados de 2003, já liberto dos compromissos na Universidade Nova de Lisboa e já sem a ligação ao grupo económico onde desempenhava funções executivas, "considerei que fazia mais sentido contribuir para o relançamento das relações políticas, económicas e culturais entre Portugal e a Ásia, particularmente com Singapura e a Malásia, do que fazer mais do mesmo em Portugal. Em Janeiro de 2006, dei mesmo a conhecer ao MNE, e à então denominada API, a minha disponibilidade para apoiar iniciativas portuguesas nestas paragens". E passou a viver em Singapura.
João Santos Lucas não visita Macau desde os anos 80, mas lembra-se que apresentou ao governo de então "um programa que exigia uma liderança público-privada a qual nunca pôde ser posta em prática".

55ª edição do Grande Prémio de Macau apresentada ontem

Novas corridas no programa

A 55ª edição do Grande Prémio de Macau já tem cartaz oficial. Com um orçamento de 130 milhões de patacas, a prova continua a trazer ao território os mais importantes nomes da Fórmula 3 e do WCCT. Nas motas, todos os olhos vão estar postos em Michael Rutter, que tentará alcançar a 7ª vitoria na Guia, e assim bater o recorde que partilha com o lendário Ron Haslam.

Rui Cid

Tal como aconteceu nos últimos 25 anos, desde que, em 1983, um tal Ayrton Senna bateu toda a concorrência, a Fórmula 3 continua a ser a prova rainha no circuito citadino mais antigo do mundo.
É certo que muita coisa mudou desde 1954 quando, ainda num piso de terra batida, Eddie Carvalho, aos comandos de um Triumph TR2, ganhou um lugar na História, ao tornar-se no primeiro vencedor no traçado da Guia, numa edição destinada apenas aos "aceleras" amadores da região. Com o passar dos anos, o pó da terra batida deu lugar ao cheiro alcatrão queimado, a potência das máquinas tornou-se incomparavelmente superior. Contudo, o traçado mágico mantém-se, desde o inicio, praticamente na mesma. São 6 alucinantes quilómetros que não deixam piloto algum indiferente.
Este ano, o destaque na F3 vai para a presença do britânico James Winslow, campeão asiático em 2006 e, já este ano, vencedor do campeonato australiano na mesma categoria. Numa prova em que dois terços dos participantes se estreiam em Macau e em que os chassis Dallara F308 dominam, quase na totalidade, a grelha de partida, Carlo Van Dam e Olivier Turvey, actuais líderes dos campeonatos japonês e britânico, são também nomes que prometem lutar pelos lugares cimeiros, tal como Jules Bianchi e Mika Maki, respectivamente, 4º e 5º classificados no EuroSeries F3, que ainda decorre. Macau será representado por Michael Ho que tudo fará para não andar na cauda do pelotão.

Couto anima corrida da Guia

Esteve à beira de não participar naquele que é o seu circuito favorito, mas, à ultima hora, André Couto conseguiu reunir os apoios necessários, e assim garantir a 6ª presença consecutiva na Corrida da Guia, desta feita aos comandos de um Honda. É, sem dúvida, um factor extra de animação para as gentes do território, habituadas a vibrar com as manobras do único piloto que levou a bandeira da RAEM ao lugar mais alto do pódio na prova de Fórmula 3. Couto será um outsider na Corrida da Guia, que poderá decidir o vencedor do campeonato do mundo de carros de turismo - WTCC, na sigla inglesa - Com 95 pontos e a duas jornadas do fim do WTCC, o francês Yvan Muller tem praticamente assegurada a vitória no campeonato e basta-lhe vencer uma das quatro corridas para, pelo menos, conquistar o segundo lugar, o mesmo de 2007. Vencedor em todas as 3 edições desde que, em 2005, o WTCC foi criado, o britânico Andy Priaulx, da BMW UK, ficará à espreita de uma oportunidade para voltar a brilhar. Destaque também para a presença de Tiago Monteiro e, mais uma vez, de Alessandro Zanardi que, apesar de todas as limitações físicas resultantes de um grave acidente, continua a perseguir um sonho chamado velocidade.

À terceira será de vez?

Diz o povo, na sua sabedoria, que não há duas sem três. Muito provavelmente, Michael Rutter nunca terá ouvido este adágio popular português, mas, depois de ter tentado, por duas vezes, quebrar o recorde de 6 vitórias na Guia, que partilha com Ron Haslam, Rutter certamente ouvirá alguém invocá-lo, caso tenha sucesso este ano. A resposta será conhecida no terceiro sábado de Novembro, por volta das 16h15, uma hora depois de os melhores pilotos de motos de estrada e resistência do mundo se terem feito à pista. Mas se Rutter concentrará todas as atenções, John McGuinnes - detentor do recorde da volta mais rápida do circuito - não enjeitará a possibilidade de melhorar o 2º lugar conseguido o ano passado, repetindo assim a vitória de 2001.
A edição número 55 do Grande Prémio fica marcada pela introdução de três novas corridas. Assim, a taça Macau GT Windsor Arch, onde Rodolfo Ávila participará e a Windosor Arch Macau Road Sport Challeng foram a forma que a organização encontrou para dar um maior retorno ao investimento de quinze milhões de patacas com que o principal patrocinador do evento contribuiu para o orçamento do Grande Premio de Macau. Além destas provas, decorrerá, também pela primeira vez, a corrida de Fórmula BMW Pacifico, uma oportunidade para pilotos mais jovens se estrearem no mundo das provas internacionais de automobilismo.

RAEM ganha prémio do melhor stand em feira na Tailândia

Turismo de ouro

A delegação de Macau à Feira de Turismo de Incentivos, Convenções e Reuniões da Ásia 2008, que teve lugar em Banguecoque na passada semana, ganhou o prémio para o melhor stand do evento. O grupo foi organizado pela Direcção dos Serviços de Turismo (DST) e incluiu “uma forte delegação de operadores turísticos de Macau”, segundo nota da direcção.
O stand do território na feira recebeu o prémio de ouro da categoria “Stickiest”, Pavilhão Nacional. O prémio é atribuído ao país ou território com o pavilhão mais atractivo. Embora a notícia só ontem tenha sido divulgada, o prémio foi atribuído na passada quinta-feira, dia em que terminou o evento.
Macau participou com um stand decorado com a campanha “Sentir Macau” e contou com a participação de cerca de vinte representantes da indústria turística local, de áreas diversas como os sectores hoteleiro, de convenções e exposições, parques temáticos, companhias de gestão de eventos e destinos e agências de viagens.
Na viagem à Tailândia, a DST realizou ainda uma bolsa de contactos, iniciativa levada a cabo em conjunto com o Gabinete de Convenções e Exposições do país. O evento juntou mais de trinta representantes de companhias, agências de viagens e imprensa tailandesa com cerca de vinte empresários de Macau.
A Feira de Turismo de Incentivos, Convenções e Reuniões da Ásia vai já na sua 16ª edição. Foi criada com o objectivo de promover a região da Ásia Pacífico como um destino para turismo de reuniões, incentivos, convenções e exposições.

AL analisa alterações das carreiras dos funcionários públicos

Escada com demasiados degraus

Não se adivinha fácil o trabalho da Assembleia no que toca à revisão do regime das carreiras da Função Pública. Ontem, a comissão responsável pela apreciação da proposta de lei esteve reunida para uma primeira análise do diploma. Sem surpresas, o articulado preparado pelo gabinete de Florinda Chan gera muitas dúvidas.

Isabel Castro

Progressão na carreira demasiado lenta, âmbito de aplicação duvidoso, questões relegadas para regulamento administrativo e que a Assembleia Legislativa (AL) entende serem matéria de lei. Estas são algumas das questões às quais a equipa da secretária para a Administração e Justiça terá que responder quando for ao hemiciclo ouvir as dúvidas da Comissão Eventual para a Análise de Iniciativas Legislativas relativas ao Funcionalismo Público.
Ontem, o grupo de deputados responsável pela análise da proposta de lei referente ao regime das carreiras dos funcionários públicos esteve reunido. Foi a primeira vez que se debruçou sobre a matéria, numa sessão que serviu, segundo o presidente Sam Chan Io, para ouvir uma apresentação sobre o articulado. A equipa de assessoria da AL foi a responsável pela enunciação dos aspectos mais sensíveis. “Os deputados ainda não manifestaram as suas opiniões”, salientou o responsável máximo pela comissão.
Desta “apresentação geral” é possível concluir que a Assembleia dificilmente aceitará levar a proposta a votação na especialidade tal qual ela está. Desde logo, os assessores alertaram para questões decorrentes da reestruturação das carreiras desejada pelo Governo. “O novo regime simplifica a estrutura, podendo acarretar alguns problemas que precisamos de ponderar. É preciso ver se esta mudança mantém ou não o actual estatuto dos funcionários.” A Assembleia teme que os trabalhadores possam sair prejudicados desta reformulação estrutural. Por outras palavras, que em causa estejam direitos adquiridos.
Pouco convincente parece também ser o plano de progressão na carreira e a chegada ao topo. Sam Chan Io explicou o que está em causa: “Prevê-se que, na carreira horizontal, dos actuais 13 anos sejam necessários 33; na carreira vertical, serão necessários 36 anos de trabalho, enquanto que, neste momento, são 21”. Ora, aos 36 anos atinge-se a idade da reforma. A AL pergunta se fará sentido atingir-se o topo da carreira no ano em que o trabalhador chega à aposentação. O deputado disse compreender a intenção do Governo ao criar mais degraus na progressão da carreira, mas entende ser necessário pensar se estamos perante “uma solução racional”.
Um outro aspecto que deverá ter que ser esclarecido pelo proponente do articulado prende-se com a extinção de algumas carreiras e a conversão pensada pelo Executivo. “Não encontramos na nota justificativa qualquer fundamento para a extinção destas carreiras”, referiu Sam Chan Io. O mesmo se aplica para a conversão profissional, com soluções apresentadas pelo Governo que não persuadem.
O presidente da comissão fez ainda referência à forma como surge regulamentado, na proposta de lei, o contrato individual de trabalho. Segundo explicou, a AL entende que este tipo de vínculo contratual deveria ser incluído no Estatuto dos Trabalhadores da Administração Pública, vulgo ETAM, e não no articulado em análise, hipótese prevista no articulado.
Também o âmbito de aplicação causa reticências. “A proposta referente ao pessoal de direcção e chefia aplica-se subsidiariamente, mas este articulado aplica-se a todos os serviços da Função Pública”, disse Sam. A Assembleia teme que não sejam tidos em consideração regimes e leis orgânicas de determinados serviços, cuja aprovação é da competência do Chefe do Executivo.
A comissão tem estado a analisar a proposta sobre as disposições fundamentais do estatuto do pessoal de direcção e chefia, trabalho que vai continuar a fazer na próxima reunião. “É uma análise que tem que ser feita em simultâneo”, defendeu o deputado, justificando assim o assunto escolhido para a reunião de ontem.

Assembleia Legislativa quer introduzir melhorias no funcionamento

Ideias para arrumar a casa

Isabel Castro

Têm pouco mais de duas semanas para dizerem de sua justiça e contribuírem para um melhor funcionamento da Assembleia Legislativa (AL). A Comissão de Regimento e Mandatos do órgão legislativo da RAEM decidiu ouvir as opiniões dos deputados. A ideia é elaborar um relatório que inclua sugestões que permitam à AL desempenhar um trabalho mais eficiente.
“A qualidade do nosso trabalho é importante para que possamos acompanhar as mudanças da sociedade”, explicou Chui Sai Cheong, presidente da Comissão de Regimento e Mandatos. “Julgamos que, ao melhorar o regimento e as condições de trabalho dos deputados, poderemos satisfazer de outra forma as necessidades da população.”
É bem provável que entre as opiniões expressas pelos membros do hemiciclo conste o aumento dos subsídios dos deputados - alguns entendem que as verbas não são suficientes para poderem executar, da melhor forma, as suas funções. O assunto foi recentemente abordado em plenário e ontem Chui Sai Cheong também fez referência à questão sem, no entanto, manifestar uma posição da comissão, mas sim uma perspectiva pessoal.
“Antes de auscultar as opiniões dos outros deputados, não devo avançar com qualquer conclusão. Há várias soluções em que podemos pensar, como a atribuição de subsídios contra recibos de despesas”, disse. “Entendo que há essa necessidade [de um aumento das verbas], pois poderá contribuir para um melhor trabalho da Assembleia Legislativa”, referiu. As sugestões compiladas no relatório serão submetidas ao plenário o mais rapidamente possível. Com este trabalho, a AL pretende criar novas condições de trabalho para a próxima legislatura, através de possíveis alterações ao Estatuto do Deputado.
A auscultação aos membros da Assembleia foi anunciada por Chui Sai Cheong no final de uma reunião da Comissão de Regimento e Mandatos em que em cima da mesa esteve o projecto de lei que visa a alteração à Lei Orgânica da AL. O diploma agrada aos deputados responsáveis pela sua análise e o parecer deverá estar concluído ainda este mês. “Concordamos com o seu conteúdo, o projecto está bem elaborado”, sintetizou Chui.
As alterações serão poucas, mas existe uma dúvida: o articulado prevê a eliminação das barreiras fixas nas remunerações, limites mínimos e máximos que a comissão entende serem “mais viáveis” do que o que vem proposto no diploma em estudo.
Apresentado e votado na generalidade no passado dia 22, o projecto de lei visa introduzir alterações a um articulado que está já em vigor há oito anos. Os proponentes entendem que as alterações sociais vividas na RAEM tiveram repercussões ao nível do funcionamento da própria Assembleia, sendo necessário reforçar a estrutura do órgão. É que têm vindo a aumentar as petições que chegam ao edifício do Lago Nam Van, o número de interpelações dos deputados e as reuniões das comissões, entre outras tarefas.
Os deputados consideram ser insuficiente um único lugar de secretário-geral adjunto, propondo aditar mais um lugar. Pensam ainda ser “totalmente inadequado” que haja apenas um único secretário pessoal do presidente e nenhum para o vice-presidente. Preconiza-se também a criação de um “Gabinete da Presidência”.

Sistema de segurança está a ser reavaliado

Discos rígidos roubados do edifício do Venetian

A Policia Judiciária está a investigar o desaparecimento de várias dezenas discos rígidos, retirados de computadores de escritórios situados no edifício do casino The Venetian.
Ao que o PONTO FINAL apurou, tudo se passou na noite de quarta para quinta-feira da semana passada, sem que nenhum segurança se tivesse apercebido de qualquer situação anómala. De acordo com informações recolhidas pelo nosso jornal, a falta dos discos rígidos só foi detectada na manhã de quinta-feira, quando os funcionários, acabados de chegar para mais um dia de trabalho, não conseguiram arrancar com o sistema operativo dos seus computadores. Depois de verificado que alguém mexera no equipamento, a Policia Judiciária foi chamada ao local, onde permaneceu ao longo de quase todo o dia, realizando diversas diligências.
Uma fonte do departamento de Relações Públicas do Venetian confirmou ao PONTO FINAL o incidente e a presença da Polícia no casino, recusando-se, no entanto, a adiantar mais pormenores.
Sobre o tipo de informação que estaria nos discos rígidos, o mesmo responsável não quis adiantar pormenores "até que as investigações estejam concluídas". Ainda assim, a mesma fonte sublinhou que "já estão a ser a estudadas formas de melhorar o sistema de segurança".
Os computadores em causa tinham informação relacionada com a gestão do centro comercial, incluindo informações confidenciais sobre contratos com lojistas. A zona de onde foram subtraídos os discos rígidos é uma área de escritórios, onde se concentram as operações de "mall management" do complexo comercial do casino Venetian.
Os intrusos, segundo referiram ao PONTO FINAL outras fontes, desparafusaram as tampas das unidades centrais dos computadores e, para além de retirarem os discos rígidos, tiraram também as ventoinhas de arrefecimento, que foram encontradas nos caixotes do lixo. De seguida, recolocaram as placas e voltaram a aparufusá-las, numa operação algo complexa e que terá demorado bastante tempo, atendendo ao facto de terem sido abertos mais de meia centena de computadores.

Visitas diminuem em Agosto

Turistas em excursão aumentam

O número de visitantes que entraram em Macau através de viagens organizadas por operadores turísticos diminuiu, em Agosto, 3,5 por cento face ao mesmo mês de 2007. De acordo com os Serviços de Estatística e Censos, os 373.474 visitantes eram provenientes, principalmente, da China Continental (252.464), do Sudeste Asiático (31.468) e de Hong Kong (27.567). Saliente-se que o número de visitantes do Sudeste Asiático cresceu de forma significativa, registando um aumento de 119,2 por cento em relação ao mês homólogo do ano passado. Em contrapartida, o número de visitantes da China Continental e de Hong Kong diminuiu, respectivamente, 10,7 e 6,1 por cento.
Apesar da queda verificada em Agosto, os dados ontem divulgados pela DSEC mostram que nos primeiros oito meses deste ano, o número de visitantes que chegaram a Macau através de viagens turísticas organizadas pelas agências de viagem, atingiu 3,19 milhões, tendo crescido 20 por cento, quando comparado ao período homólogo de 2007.
Em Agosto, o número de residentes de Macau que viajaram para o exterior em excursão foi de 27.931, tendo crescido 7,5 por cento em relação ao mesmo mês do ano transacto. A China Continental (62,4 por cento), o Japão (11,1 por cento) e a Tailândia (8,4 por cento) foram as três principais preferências dos residentes de Macau. Nos primeiros oito meses do corrente ano, observou-se um aumento de 6,2 por cento no número de residentes (154 323) que viajaram para o exterior em excursão, relativamente a idêntico período de 2007.

Menos saídas

Por seu turno, o número de residentes de Macau que viajaram individualmente para o exterior, sem ser em excursão, mas com recurso a serviços prestados pelas agências de viagem, foi de 37.611, uma diminuição de 29,8 por cento, face a Agosto de 2007. Os destinos preferidos desses residentes foram Hong Kong (41 por cento), a China Continental (25,5 por cento) e Taiwan, China (13,7 por cento). Nos primeiros oito meses de 2008, um total de 255.301 residentes viajaram para o exterior individualmente, tendo-se registado um aumento de 2,1 por cento, relativamente ao período homólogo de 2007.
O número total de quartos disponíveis dos hotéis e estabelecimentos similares, no fim de Agosto de 2008, era de 16.577, o que corresponde a um crescimento de 5,1 por cento, ou seja, mais 799 quartos, comparativamente a idêntico mês de 2007.
Registaram-se 546.903 hóspedes nos hotéis e estabelecimentos similares do Território, em Agosto do corrente ano, assinalando um acréscimo de 3,6 por cento relativamente ao mês homólogo de 2007. Os principais mercados da indústria hoteleira de Macau foram a China Continental e Hong Kong, perfazendo, respectivamente, 43,8 e 29,3 por cento.

Hotéis cheios

No mês em análise, a taxa de ocupação média dos estabelecimentos hoteleiros decresceu 7,1 pontos percentuais, face a Agosto do ano precedente, atingindo 76,7 por cento. A taxa de ocupação média dos hotéis de 5 estrelas situou-se em primeiro lugar, com 80,7 por cento. Em termos de permanência dos hóspedes foi observada uma média de 1,5 noites, equivalendo a uma subida de 0,2 noites quando comparado com o mesmo mês de 2007. Nos primeiros oito meses deste ano, os estabelecimentos hoteleiros registaram 4,3 milhões de hóspedes, ou seja, mais 17,6 por cento em relação ao período homólogo de 2007.
Nos primeiros oito meses de 2008, os hóspedes dos estabelecimentos hoteleiros representaram 43,2 por cento do total de turistas, uma percentagem superior aos 42,7 por cento registados ao longo do mesmo período, em 2007.

Perspectivas

Os candidatos à Casa Branca têm, regra geral, a mesma mensagem em relação à China, prometendo uma política mais dura e medidas mais restritivas para proteger os empregos dos trabalhadores norte-americanos, como salientou Michael Roskin, professor de Ciências Políticas, num seminário realizado em Macau.
Mas terminada a campanha eleitoral, a realidade impõe-se e alguém se encarrega de explicar ao novo presidente o peso que o investimento e as importações chinesas têm, na economia dos Estados Unidos, e as consequências de uma retracção no investimento.
Fenómeno idêntico deve verificar-se em Pequim, embora com menos regularidade. Cada vez que uma nova equipa dirigente chega ao poder tem que se confrontar com o facto de o seu principal parceiro económico ser, ao mesmo tempo, o seu maior adversário, em termos ideológicos e geo-estratégicos.
A política de abertura económica ao exterior criou uma economia de mercado na China que, não obstante as suas características específicas, se rege pelas mesmas leis da oferta e procura. Há alguns anos, os Estados Unidos não se podiam dar ao luxo de prescindir dos produtos chineses, mais baratos, sob risco de sobrecarregar a bolsa dos consumidores. Hoje, a presença do capital chinês já se faz sentir no mercado financeiro americano e, curiosamente, é até considerado um factor que pode ajudar à sua estabilização.
Acima de tudo, as estreitas relações comerciais e o peso que cada um dos países representa para a economia do outro, obrigam a que escolham a via do diálogo, para resolver eventuais diferendos.
Diz-se, nos Estados Unidos, que a política faz estranhos companheiros de cama. A economia, pelos vistos, também dá origem a insólitas parcerias.

Paulo Reis

Eleição para Chefe do Executivo’2009 - II

"Quem é Quem" na corrida à sucessão

Bruce Kwong

Dentro de 14 meses o Chefe do Executivo, Edmund Ho, completará o seu segundo e último mandato. O seu sucessor será anunciado em Julho ou Agosto do próximo ano, mas muito antes dessa data o olhar do público - e dos outros políticos - estará voltado para os possíveis candidatos. Todas as atenções estarão centradas no desenrolar do processo de selecção, em especial no passado político, ideologia, experiência administrativa, e estilo de governação de cada possível sucessor. À medida que a sua capacidade efectiva de governação se for apagando, à entrada de 2009, o governo de Edmund Ho irá gradualmente adoptando uma postura de esperar para ver. Quem se seguirá como CE? Será esta a questão mais relevante, tanto para o governo central como para os cidadãos de Macau.
A escolha do novo CE é uma matéria que respeita não só ao Comité de Selecção, mas também ao governo central e à Lei Básica. Os candidatos que pretenderem qualificar-se para uma fase de indigitação terão de ser, em princípio, apoiados pelo governo Central e bem aceites pela população (ser apoiado, deve aqui ser entendido como "endossado").
As primeiras eleições para os Chefes de Executivo de Hong Kong e Macau revelaram que o critério do governo Central para endossar um candidato foi este possuir sólidas ligações familiares a personalidades chave na China, experiência de serviço no Conselho Executivo e boas relações de amizade com os líderes chineses.
Embora nas segundas eleições dos CE de Macau e Hong Kong esta política se tenha mantido inalterada, desta vez o mecanismo pode já não ser válido, caso exista uma mudança no núcleo de liderança na China.
Dito isto, e embora os novos líderes chineses Hu-Wen tendam a ser mais realistas e pragmáticos - uma tendência que se pode observar desde a pneumonia atípica, aos vários escândalos de corrupção massiva dos últimos anos, ao nível dos membros seniores do partido - uma mudança ao nível da liderança do governo central, não implica uma mudança fundamental no processo de selecção do Chefe do Executivo, sendo no entanto de esperar alguma alteração.
Para conseguir combinar o pragmatismo político da nova liderança com a prática rígida dos princípios do partido, o novo CE deverá preencher alguns pré-requisitos: em primeiro lugar deverá ser uma individualidade de grande confiança do governo central; idealmente terá mesmo passado por um processo de escrutínio sobre a sua lealdade e atitude politicamente correcta.
Em segundo lugar deve possuir um alto índice de popularidade, significando que terá de ser universalmente aceite pelos seus constituintes.
Em terceiro lugar deverá ter um sólida formação académica providenciada, de preferência desde a infância, por instituições ligadas à China, possuindo ainda um certificado universitário de origem estrangeira indicador da sua visão do mundo.
Em quarto lugar, deverá ter ligações fortes a organizações políticas governamentais da China - quanto mais alto o nível governamental, maiores as hipóteses de ser seleccionado.
Em quinto lugar, deve ser descomprometido em relação ao sector dos negócios, constituindo um factor negativo ter ligações próximas aos grandes magnatas do mundo empresarial.
Em sexto lugar deve possuir comprovadas capacidades de gestão no sector público. Sétimo e mais importante, deve ter uma história pessoal limpa e transparente, garantia de um mandato sem escândalos.
Tendo em conta estes pré-requisitos, os qualificativos para CE podem ser agrupados em quatro elementos principais, a saber: confiança política, popularidade local, capacidade administrativa e um passado limpo.
Quanto ao primeiro elemento, será mais fácil ao governo Central encontrar um candidato de confiança, avaliando a sua ideologia política, se este ocupar uma posição oficial no sistema político do Continente, como por exemplo se for membro da Conferência Política Consultiva do Povo Chinês ou da Assembleia Nacional Popular.
Em relação ao segundo elemento, a popularidade local pode ser testada através de inquéritos regulares, o que não é prática usual em Macau. A melhor forma de um candidato adquirir popularidade é ir ganhando o máximo de exposição pública que puder, quer liderando uma qualquer associação social, quer patrocinando actividades comunitárias, quer participando em acções de caridade, quer ainda mantendo uma boa relação com a imprensa. Qualquer um destes objectivos não são difíceis de atingir se o candidato estiver disposto a neles investir os seus recursos.
Quanto ao terceiro elemento, a melhor forma de demonstrar capacidade administrativa é ocupando um lugar no gabinete político do governo. Este lugar tanto pode ter a forma de serviço público, como de nomeação para membro do Conselho Executivo. A experiência do antigo CE de Hong Kong, Tung Chee Wa, e do actual CE de Macau, Edmund Ho, como membros do Conselho Executivo e Assembleia Legislativa antes de serem Chefes do Executivo lança o seguinte precedente: o candidato ideal pode provir das fileiras desses orgãos políticos da RAEM mesmo que nunca tenha sido um alto responsável da função pública. No entanto, possuir um currículo nas altas patentes do funcionalismo público, como acontece com o actual Chefe do Executivo de Hong Kong, Donald Tsang, será certamente uma vantagem.
O quarto elemento é crucial, já que a luta contra a corrupção constitui um dos núcleos duros da política do governo Hu-Wen. Quem quiser receber a benção do governo central deve essencialmente ser capaz de demonstrar uma capacidade de liderar de forma limpa e incorrupta. Para preencher esta premissa, qualquer candidato pertencente ao sector empresarial terá de fazer um esforço suplementar para conseguir convencer da sua imparcialidade, integridade e crédito.
Ter um historial como funcionário público ou em actividades comunitárias pode ser favorável, já ser político ou empresário não constitui vantagem na campanha para ocupar a cadeira de Chefe do Executivo.
Estes critérios de selecção podem ser facilmente aplicados em retrospectiva na explicação das nomeações tanto do antigo, como dos actuais CE de Hong Kong e Macau. Tendo como bons estes pré-requisitos na explicação da escolha do CE ideal, por parte do governo central, podemos usá-los para avaliar os seguintes eventuais candidatos a CE, na campanha eleitoral de 2009.

José Chui Sai-peng foi visto como um dos mais prováveis sucessores de Ho, sobretudo antes do início de 2007, altura em que a sua popularidade começou a decrescer. Pertencente à elite local, formou-se em engenharia nos EUA. Foi nomeado para diversos cargos na China, entre os quais o de membro do CCPCC de Cantão, e o de membro da ANP. Faz parte de organizações chave locais, entre as quais a Associação Comercial de Macau, e é deputado nomeado à Assembleia Legislativa da RAEM. Apesar disso, Chui Sai-peng esteve envolvido numa série de projectos de construção, incluindo o projecto da Praça do Tap Seac e outros, durante a passagem de Ao Man Long pelo governo. Talvez em virtude de um passado familiar proeminente e da sua reputação profissional, foi visto durante muito tempo como um dos mais prováveis sucessores de Ho em 2009. No entanto a existência de uma rede invisível de subornos na área da construção e dos projectos de engenharia, notabilizada pelo escândalo à volta de Ao Man Long, minaram a sua popularidade e carisma pessoal a ponto de não se poder falar já dele como candidato provável, nem sequer como principal candidato a uma surpresa no processo de selecção.
Na realidade, as expectativas em relação à sua possível candidatura podem ter sido apenas um verdadeiro mal-entendido, já que ele apenas reúne um pequeno conjunto de pré-requisitos.

Ho Iat-seng, com um perfil extremamente discreto na arena política, é agora considerado uma das apostas mais seguras para a eleição de 2009.
Nasceu em Macau e recebeu formação superior na China, já para não falar da sua nomeação como membro do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, o que representa um sinal positivo particularmente significativo por parte do governo Central.
Tal como acontece com Edmund Ho e Tung Chee Hwa, diz-se que o seu pai desempenhou um papel importante na China Comunista, em especial durante o período da política de isolamento, o que ajudou a sua família a criar uma relação especial com o governo central. Ho Iat-seng é também membro do Conselho Executivo o que lhe possibilita ganhar visibilidade e acumular experiência governativa. O seu low profile dá-lhe actualmente uma vantagem especial: torna-se mais difícil ter "má imprensa".
A sua única desvantagem são as ligações ao sector empresarial. É aí que reside a incerteza do seu futuro.

Cheong U, Comissário Contra a Corrupção, pode ser o candidato revelação na eleição de 2009. Embora não reúna todos os pré-requisitos, a sua carreira como funcionário público, uma imagem limpa, sem ligações ao sector dos negócios e o facto de estar ligado a uma instituição pública possuidora de boa reputação, quando comparada com outras, a par da prisão de Ao Man Long e família, que resultou num conjunto de condenações judiciais sem precedentes – tudo isso tem feito subir o seu crédito, tanto junto do governo central como da opinião pública.
Para Pequim, Cheong U pode ser a pessoa mais indicada para assegurar os princípios de um governo limpo e tolerância zero na corrupção, e a formação como funcionário público e uma reputação de lealdade, seriam garantias da implementação das políticas do governo central. Os seus conhecimentos limitados de gestão da indústria do jogo não afectarão as suas possibilidades de candidatura já que, como no caso de Ho, o governo central dar-lhe-ia instruções sobre como resolver os principais problemas.

Ho Chio Meng, a sua nomeação, após a transferência do exercício de soberania, para Procurador Geral do Ministério Público e o cargo de Vice-Alto Comissário contra a Corrupção e a Ilegalidade Administrativa ocupado antes daquela data, fazem dele um candidato com hipoteses num cenário pós-processo Ao Man Long.
É possível que a opinião pública deseje um CE justo e neutral, capaz de inverter uma percepção notória de corrupção existente na comunidade. No entanto, o seu passado judicial e um insuficiente "apoio" vindo do Norte, diminuem as suas hipóteses de eleição. Para além disso, a falta de pré-requisitos a nível do seu passado pessoal prejudica também a possibilidade de uma candidatura.

Sam Hou Fai, Presidente do Tribunal de Última Instância, é outro nome que subitamente surgiu na ribalta depois do caso Ao Man Long. No entanto, o seu currículo pessoal não preenche igualmente os pré-requisitos e é ainda demasiado jovem e inexperiente na arena política. Mais do que isso, no caso Ao Man Long deixou uma série de assuntos controversos pendentes que tê sido muito debatidos pela opinião pública, o que teve efeitos negativos sobre a imagem de imparcialidade que a comunidade reclama para o detentor do cargo.

Fernando Chui Sai-on é secretário para os Assuntos Sociais e Cultura desde a transferência de administração e são fortes hipóteses de vir a candidatar-se. Talvez os seus laços familiares e a educação numa universidade americana contribuam para que isso aconteça.
Embora a sua história familiar seja bastante semelhante à de Chui Sai-peng, a sua prestação a nível da economia, jogo e sociedade política não lhe dá qualquer vantagem competitiva.

É curioso que tanto Francis Tam, o secretário para a Economia e Finanças, como Florinda Chan, secretária para a Administração e Justiça, estejam também na lista de possíveis candidatos. Parece indicar que o próximo CE deve vir das altas esferas do funcionalismo público, mas, em primeiro lugar, estes nomes não possuem os pré-requisitos, e em segundo lugar falta-lhes excelência de desempenho e popularidade. Observadores políticos ficariam surpreendidos se estes nomes recolhessem o mínimo de nomeações necessário.

Desta análise dos candidatos pode facilmente depreender-se a pobreza da liderança política em Macau. Isso pode dever-se ao isolamento de séculos vivido pela população de Macau e do facto de possuir uma cultura fracamente integrada a nível político e social, que afasta a população das preocupações sociais, deixando-a com um sentimento de impotência face à realidade.
Além disso, os esforços conjuntos envidados desde os anos 60 pelas associações patrióticas tornaram a população de Macau obediente aos seus patronos, pouco reivindicativa e sempre pronta a seguir sem contestar as orientações vindas de cima.
É ridículo constatar que a população local só consiga indicar nomes para possíveis CE em função da sua exposição pública e que quase todos os nomes indicados estejam ligados ao exercício de cargos públicos.
Também preocupante é o entendimento de que o próximo CE vai ter maiores dificuldades no exercício do cargo, uma vez que a população de Macau já não são os cidadãos obedientes que eram sob a administração portuguesa.
Os protestos frequentes que se registaram nos últimos anos, os conflitos entre os agentes da indústria do jogo e o contínuo aumento da exigência no funcionalismo público alertaram Pequim para a necessidade do reforço da eficácia do governo de Macau. Se o terceiro CE não estiver à altura das novas circunstâncias, o mais provável é que tenha que se demitir ou ser afastado uma vez finda a presidência de Hu Jintao.

Bruce Kwong é Professor Assistente no Departamento de Administração da Universidade de Macau.

Eleição para Chefe do Executivo’2009 - I

Diga de sua justiça!

Dentro de poucos meses, um Comité de Selecção composto por 300 membros vai eleger o próximo Chefe do Executivo, a pessoa que vai suceder a Edmund Ho à frente dos destinos da Região Administrativa Especial. O processo eleitoral será em tudo semelhante ao vigente há 10 anos e há cinco, quando Edmund Ho foi eleito pela primeira vez e depois reeleito. Nesta área fundamento do desenvolvimento politico da RAEM, a evolução foi zero na primeira década desde a transferência de administração.
O sistema eleitoral para a escolha do Chefe do Executivo é objecto de grande controvérsia nas esferas politicas da RAEM. Se bem que hoje já muito poucas vozes se atrevam a colocar completamente de lado a opção futura pelo sufrágio directo e universal na eleição do CE, a verdade é que o esforço das forças pró-democracia no sentido de uma rápida evolução politica é travado pela percepção ainda muito generalizada de que o eleitorado de Macau ainda não está suficientemente maduro para eleger todos os seus líderes, para além de não estar ainda completamente ganha a batalha contra a corrupção e fraude eleitorais.
É hoje óbvio que não se conseguirá facilmente construir um consenso quanto ao momento mais indicado para a introdução de reformas políticas profundas, nem mesmo existindo já em Hong Kong, a título de exemplo, um mapa para a democracia razoavelmente delineado.
Mas significa isso que os residentes locais não possam ou não devam ter algo a dizer sobre a eleição do Chefe do Executivo? Pensamos que não. Os residentes locais podem não ter o direito de votar, mas têm o direito de expressar livremente a sua opinião sobre quem pensam reunir melhores condições para o exercício do cargo.
A liberdade de expressão é um direito fundamental protegido tanto pela Lei Básica como pelo Pacto dos Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas, também em vigor em Macau. E sem ser exercida, a liberdade de expressão perde todo o sentido.
Daí que o jornal PONTO FINAL se associe à revista "Macau Closer" no lançamento de uma sondagem de opinião na internet sobre a personalidade melhor colocada para substituir Edmund Ho. Se acreditamos todos que a opinião pública é um elemento essencial para a boa governação, por que não começar por fazer ouvir a sua voz na mais importante escolha para a constituição de um bom governo?
Convidamos por isso os nossos leitores a visitarem a edição online da revista "Macau Closer" e aí depositarem o seu voto perante um conjunto de oito possíveis candidatos, bem como sugestões de outros nomes ou comentários que queiram fazer sobre o processo de selecção. As oito personalidades constantes desta sondagem são aquelas cujos nomes mais têm vindo a ser referidos por observadores políticos da RAEM, como salienta o professor Bruce Kwong, da Universidade de Macau, no artigo que publicamos nestas páginas.
Em www.macaucloser.com terá acesso à sondagem em três diferentes línguas: inglês, chinês e português. A votação vai prolongar-se pelos próximos meses, procurando-se assim contribuir para o debate público em torno de uma questão vital para o futuro de Macau.

Seminário sobre as eleições norte-americanas na Universidade de Macau

Obama, a cor da pele e os eleitores mentirosos

As presidenciais norte-americanas do próximo mês podem ter consequências importantes para a ciência política. Vai ser testado pela primeira vez, a nível nacional, o grau de sinceridade dos eleitores em relação aos preconceitos raciais. Isto num momento em que a economia preocupa e o país se encontra dividido.

Isabel Castro

É um teste único ao grau de honestidade dos eleitores em relação à tendência de voto manifestada nas sondagens. Pela primeira vez a nível nacional, os académicos das Ciências Políticas vão ter a oportunidade de perceber se a América continua a ser afectada por preconceitos raciais. Barack Obama, o primeiro candidato negro a presidente dos EUA, tem vindo a distanciar-se do republicano John McCain. Resta saber se esta margem confortável se traduzirá em votos reais no próximo dia 4 de Novembro.
A este fenómeno da discrepância entre sondagens e resultados das eleições quando, na corrida, está um candidato “afro-americano”, chama-se “efeito Bradley”. A questão foi abordada na passada sexta-feira por Michael Roskin, professor de Ciências Políticas, orador de um seminário sobre as eleições norte-americanas e as suas especificidades.
“Julgo que o efeito Bradley ainda está vivo e a liderança de Obama nas sondagens, com cinco por cento ou mais, irá desaparecer no dia das eleições”, afirma Roskin. “A questão racial continua a ser forte nos Estados Unidos. Muitos americanos continuam a ter sentimentos racistas, uns de forma inconsciente, sendo que outros preferem não falar sobre o assunto”, explica o professor. “Mas existe de forma enraizada e é esta a origem do efeito Bradley.”
O conceito surgiu em 1982, ano em que o “afro-americano” Tom Bradley, à altura “mayor” de Los Angeles, concorreu a Governador da Califórnia, contra o republicano branco George Deukmejian. As sondagens dos dias anteriores às eleições e mesmo as feitas à boca das urnas davam a vitória confortável a Bradley. No entanto, o democrata perdeu. Estudos posteriores apontam a razão principal: muitas das respostas dadas nos inquéritos sobre o sentido de voto, especialmente pelos indecisos, foram condicionadas pela noção do que é politicamente correcto. No momento do voto secreto, finda a necessidade de pruridos de tal ordem.
As grandes preocupações em relação à economia poderão dissipar o efeito Bradley, alerta Michael Roskin. “E por isso é que será um teste tão interessante. O efeito Bradley aplica-se essencialmente no contexto dos valores não económicos”, ou seja, quando o eleitor escolhe o candidato mais pelos valores que defende (como a importância da família ou o posicionamento em relação ao aborto) e menos pela relevância que dá aos assuntos de índole económica.
Numa campanha que adquiriu contornos e prioridades distintas desde que a crise financeira começou a estar na ordem do dia, com assuntos como a presença no Iraque a serem menos abordados, a questão reside agora no grau de “susto” do eleitorado. “Tudo dependerá do quão assustados vão estar os americanos no dia das eleições em relação aos seus empregos, poupanças e pensões de reforma. Talvez isso seja suficiente para dissipar o efeito Bradley”, refere o professor de Ciências Políticas.

A China e a mudança de discurso

No actual contexto económico, o candidato democrata sai favorecido. “Quanto pior estiver a situação económica, melhor será para Obama”, constata Roskin. “Repare-se, contudo, que ele tem muito cuidado em mostrar-se optimista. É uma regra das eleições norte-americanas: o vencedor é sempre o candidato mais optimista, aquele que diz que as coisas vão melhorar, que é como quem diz, é ele que as vai tornar melhores.”
Durante o seminário da Universidade de Macau, o docente chamou ainda a atenção para outro fenómeno que afecta, neste momento, o país onde nasceu: a grande divisão do eleitorado. Esta oposição extrema não é um bom indicador, considera Michael Roskin. Na curva do eleitorado, a zona central encontra-se dividida numa nova curva. “De certa forma, estamos perante uma situação como a que se vivia durante a guerra civil espanhola e os tempos de Franco”, compara o professor. “Há uma bipolarização grande que faz com que metade da América nem sequer fale com a outra metade”, ironiza.
É com alguma ironia também que Roskin analisa a postura dos candidatos à presidência norte-americana no que a Pequim diz respeito. “Existe algo muito interessante no que toca às relações com a China: os candidatos eleitos assumem funções dizendo que vão ser duros com Pequim, em questões como a paridade da moeda, protecção da propriedade intelectual, direitos humanos e preparação militar em relação a Taiwan.” Uma verdade que se aplica tanto a republicanos como aos democratas.
“Todos eles prometem intransigência. No entanto, na primeira semana de exercício do mandato, o discurso muda. Alguém lhes explica a quantidade de dinheiro chinês que há nos Estados Unidos e as consequências do desinvestimento.” É uma perspectiva da China “mais interna, menos internacional”. Tendo em conta esta inclinação na postura dos diferentes candidatos e presidentes, as eleições de 4 de Novembro não deverão trazer grandes novidades para as relações sino-americanas, conclui o professor.

Macau e os intelectuais

Entre a “inexperiência” de Barack Obama e a o “feitio duro” de John McCain, Michael Roskin confessa a sua preferência pelo democrata, dizendo ser “o candidato menos mau”. “Obama talvez possa ser inexperiente, mas parece ser uma pessoa calma e ponderada, enquanto McCain é conhecido pelas suas explosões de raiva, o que é assustador tanto do ponto de vista da economia, como das relações internacionais.”
No acto eleitoral do próximo mês, prossegue, será ainda interessante observar um outro efeito - o Palin. “Será que Sarah Palin [candidata à vice-presidência pelo Partido Republicano] vai buscar os votos de muitas mulheres, algumas delas antigas apoiantes de Hillary Clinton? Ou só conseguiu convencer mulheres republicanas conservadoras?”, lança. “As feministas não gostam dela, entendem que os seus valores conservadores vão contra o feminismo. A escolha de Palin poderá ter como efeito algumas mulheres feministas republicanas votarem em Obama”, prevê.
Quanto ao posicionamento político da comunidade norte-americana de Macau, Michael Roskin, residente na RAEM, confessa não ser capaz de traçar um quadro geral acurado. “Os americanos que conheço, especialmente aqui na Universidade, são intelectuais, pelo que são, previsivelmente, pró Obama. Não se trata de uma boa amostra. Acredito que, no caso dos empresários, o cenário seja mais equilibrado.”

Historiador português investiga diáspora macaense em Xangai

A História daqueles que partiram

Um historiador português está a fazer um trabalho de investigação sobre o primeiro grande movimento migratório da comunidade macaense. É uma viagem aos meados do século XIX e a Xangai, numa tentativa de perceber as características da comunidade que lá se instalou e das repercussões para a terra de onde partiu.

Isabel Castro

É uma abordagem da História em que o povo adquire mais importância do que os habituais protagonistas políticos. Mais do que relatos de vitórias e conquistas, são as estórias das pessoas que interessam a Alfredo Gomes Dias, historiador português que se dedica ao estudo de Macau há mais de duas décadas. Depois de uma série de estudos e livros publicados sobre diferentes temas, o investigador está agora no encalço dos movimentos migratórios dos meados do séc. XIX, aqueles que deram origem à diáspora macaense.
“Estou a estudar a primeira fase da diáspora, que corresponde à saída para as regiões mais próximas: Hong Kong e Xangai”, explicou Gomes Dias ao PONTO FINAL. A abordagem é feita nas perspectivas demográfica e social. Embora inclua o movimento migratório para a antiga colónia britânica, o estudo (feito para a tese de doutoramento) analisa detalhadamente a comunidade de Xangai, desde que foi fundada, nos finais de 1840, até à seu término, que aconteceu com a proclamação da República Popular da China, em 1949.
Sobre a metodologia do trabalho, Alfredo Gomes Dias explica que tem “acesso quantitativo às pessoas que emigraram, através dos registos dos consulados”. É a partir destes dados que está “a tentar reconstruir o fluxo migratório, complementado com outras fontes no que toca à descrição das cidades e dos seus recenseamentos”. A tese vai ainda incluir uma análise sobre o impacto que a emigração teve na própria sociedade macaense. “Há fenómenos sociais que ocorreram em Macau na segunda metade do século XIX que têm origem no fenómeno migratório e que, até agora, nunca foram abordados nessa perspectiva”, defende.
A diáspora macaense em Xangai enquanto tema da tese surgiu “um pouco por acaso”, conta. “Inicialmente, a ideia era fazer um estudo centrado no porto de Macau. Comecei a fazer alguma investigação no Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), associada às questões da cidade e da demografia”. Durante esta pesquisa, encontrou os livros de registo do consulado de Xangai, “material abundante” sobre a diáspora. E assim decidiu pelo caminho do estudo das emigrações.
Gomes Dias espera ter o trabalho concluído até ao final deste ano. “Estou a terminar a investigação empírica, o levantamento dos dados. A partir de Novembro e complementando com mais algumas leituras, estarei apto para começar a escrever a tese”, explicou, de passagem por Macau.
O trabalho, que está a ser feito no departamento de Geografia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, surge na sequência daquela que tem vindo a ser, nos últimos anos, a abordagem do académico: a História Social, a “História das pessoas”. “Esta minha aproximação ao movimento migratório e à diáspora é uma forma de tentar fazer uma História mais aproximada do povo, que muitas vezes é esquecido”, enquadra.
Sobre a disparidade dos factos históricos locais consoante as fontes, o investigador minimiza o problema. “A história tem um lado subjectivo que depende sempre de quem a escreve, quer seja português, chinês ou francês. O que se passa com Macau não é diferente.” A grande dificuldade dos historiadores ocidentais prende-se com o acesso às fontes chinesas, mas até mesmo neste aspecto o cenário tem vindo a melhorar. “Temos cada vez mais acesso a textos escritos por autores chineses, que têm a sua versão, e que nos permite ir aproximando as nossas versões daquilo que é o olhar chinês.”
Professor da Escola Superior de Educação de Lisboa, Alfredo Gomes Dias estudou História na Faculdade de Letras da capital portuguesa. O interesse por Macau surgiu em 1986, época em que o território “estava muito presente nos jornais, por causa do processo das negociações que levaram ao acordo sobre a transferência”. As notícias foram ao encontro da curiosidade que o historiador já tinha sobre Macau. E foi assim que deixou África enquanto tema de investigação e passou a olhar para o Oriente. O primeiro estudo foi dedicado à Guerra do Ópio. “Desde então nunca mais deixei Macau, apenas fui saltando de temas e de estudos.”

Economia pode entrar em recessão

Crise chega a Hong Kong

A economia de Hong Kong pode entrar em recessão no último trimestre deste ano por causa do impacto da crise financeira mundial, segundo economistas citados pelo jornal local "South China Morning Post".
"Existe a possibilidade de um crescimento negativo no quarto trimestre do ano e no primeiro trimestre de 2009, quando Hong Kong poderá entrar em recessão. Não estou optimista", disse o professor de Economia da Universidade de Hong Kong, Stephen Cheung.
No último relatório económico semanal, o Banco da China alertou para o risco de não haver crescimento em Hong Kong nos últimos três meses do ano, e não colocou de parte uma contracção económica.
O analista do banco de Singapura BNS Daniel Chan Po-Ming disse ao jornal que a crise afectará todos os sectores da economia local.
"Enfrentaremos uma queda das exportações, já que Hong Kong é um intermediário entre a Europa e os Estados Unidos, e também a queda do mercado financeiro", afirmou.
Os dados gerais das alfândegas de Hong Kong indicam um balanço preocupante: durante o mês de Agosto, as exportações cresceram apenas 1,9%, quase 10 pontos a menos que em Julho (11,1%).
O próprio Secretário de Finanças do Governo de Hong Kong, John Tsang Chun-wah, advertiu que o encerramento de algumas empresas em Hong Kong é apenas uma consequência do início do "tsunami" causado na ex-colónia britânica por causa da crise financeira mundial.

Crise financeira internacional provoca estragos

Magnatas do jogo perdem milhões

A crise financeira está a afectar de forma acentuada algumas empresas de jogo e Sheldon Adelson, o patrão da Las Vegas Sands, perdeu num mês quase três mil milhões de euros, revela o Las Vegas Review-Journal.
Desde do final de Agosto, Sheldon Adelson, que opera em Macau os dois maiores casinos do mundo e tem ainda casas de jogo em Las Vegas, perdeu 4.000 milhões de dólares.
Já desde Janeiro de 2008, as perdas de Adelson estão contabilizadas em 13.000 milhões de dólares e em meados de Setembro a Forbes estimava a fortuna do magnata - que já foi considerado o terceiro homem mais rico da América - em apenas 15.000 milhões de dólares.
As acções das Las Vegas Sands, onde Adelson tem cerca de 70 por cento do capital, atingiram no último ano um máximo de 148,76 dólares - a 29 de Outubro de 2007 - mas fecharam a semana passada a valer menos de 14 dólares.
Apesar da crise, Adelson já investiu na Las Vegas Sands 475 milhões de dólares, através de um empréstimo à empresa a uma taxa de 6,5 por cento, convertível em 2013 e que ajudou a empresa a manter a liquidez necessária para conseguir um empréstimo bancário de 5.000 milhões de dólares (3.741 milhões de euros).
Na área do Jogo em casinos, também Kirk Kerkorian, 91 anos e detentor de 54 por cento da MGM Mirage, viu a sua fortuna cair 1.200 milhões de dólares para um total de 10.000 milhões de dólares depois de as acções da empresa de jogo, que também opera em Macau, caírem cerca de 85 por cento, num ano, descendo para 16,26 dólares, na passada semana.

Pagcor anuncia arranque do projecto "Entertainment City" em 2009

Filipinas apostam nos casinos

As obras de construção de um complexo de casinos e hotéis, previsto para uma zona de aterros ao largo da Baía de Manila, vão arrancar já no início de 2009.

A revelação foi feita pelo presidente da Pagcor, uma empresa de capitais públicos ligada ao sector do jogo, que adiantou que o governo da província de Paranaque deu luz verde ao projecto, depois de verificar os resultados dos estudos de impacto ambiental.
Com um investimento de 15 mil milhões de dólares, a Pagcor espera que os hotéis, parques temáticos, casinos e centros comerciais previstos para o "Entertainment City" possam, na próxima década, tornar as Filipinas num dos destinos mais procurados na Ásia.
"Este projecto irá representar a criação de 400 mil postos de trabalho, incluindo um efeito multiplicador no sector da construção civil em toda a área circundante ao Entertainment City", afirmou Rafael Francisco, citado pela "GamblingCompliance", uma publicação especializada no negócio do jogo.
Contudo, o clima de incerteza provocado pela crise financeira pode abalar o optimismo do presidente da Pagcor, de acordo com a mesma publicação. Recentemente, a queda nas vendas da Arzure, uma empresa japonesa a quem a Pagcor já concedeu uma licença provisória para a construção de um casino e de um hotel com capacidade para 200 quartos, veio lançar dúvidas sobre a viabilidade deste projecto. Já em Julho, o gigante australiano Crown justificara a sua decisão em não investir no "Entertainment City" com a subida dos custos do financiamento bancário.
Mais recentemente, na cimeira da ACE realizada em Singapura, um analista financeiro, citado pela "Gambling Compliance", considerou que a Pagcor estava a confrontar-se com um período de turbulência, com os operadores do sector do jogo a enfrentarem um crescente cepticismo por parte dos financiadores, devido a interrogações sobre a viabilidade de projectos em Macau.
Apesar da joint venture para a exploração de um casino entre a "Alliance Global" e a "Star Cruises" ter garantido um investimento de peso, a Pagcor poderá ter problemas em atrair novos investidores, adianta aquela publicação. Em Singapura, vários participantes na cimeira da ACE referiram que o facto de a Pagcor desempenhar, simultaneamente, o duplo papel de regulador e operador em 13 casinos, nas Filipinas, poderá gerar desconfiança nos principais operadores estrangeiros, nomeadamente junto das empresas norte-americanas do estado do Nevada.

Análises sem melamina

O último lote de análises a produtos alimentares, efectuadas pela Direcção dos Serviços de Saúde e Direcção dos Serviços de Economia, não revelaram quaisquer traços de melamina, de acordo com uma nota divulgada pelo GCS.
Neste décimo lote de produtos - num total de 14 - nenhum deles estava contaminado com o produto químico que afectou cerca de 50 mil crianças, na China.
Até ao passado dia 10 de Outubro, 210 amostras de produtos lácteos ou produtos alimentares contendo leite foram analisados, em Macau, tendo sido detectados níveis de melamina em 21 dessas amostras. No entanto, as quantidades detectadas, de acordo com a mesma nota, estão abaixo dos limites máximos, não constituindo perigo para a saúde pública.

Râguebi de Macau estreia com o pé direito

A equipa de râguebi da RAEM, a SJM Macau, começou a época com uma vitória. O grupo de atletas participa, pelo terceiro ano consecutivo, no campeonato de Hong Kong, na terceira divisão. No sábado passado, bateu a DEA por 22-10, um resultado que não foi fácil, uma vez que, ao intervalo, o marcador dava uma vantagem de cinco pontos aos rivais da antiga colónia britânica.
A SJM Macau começou o jogo bem, com grande posse de bola, e foi a primeira a marcar. Contudo, a equipa de Hong Kong conseguiu recuperar e ir para o balneário a vencer. No segundo tempo, os homens da RAEM estiveram melhor: não só passaram a estar em vantagem, como conseguiram evitar que os adversários pontuassem.
Segundo nota enviada à imprensa, alinharam na equipa inicial Alex Roussel, Ed Sanderson, Herve Deon, Miguel Madaleno, Cory Ratahi, Sean Bonar, Yves N’Gatou, Albert Wong, Hugo Davidson, Gabriel Soares, Loren Stout, Christian Petillot, Kelsey Withelm e José Reis. Nas substituições, jogaram com a camisola da SJM Macau Anacleto Cabaça, Dan Walters, Raymond Kopu e David Silva. O campeonato continua no próximo fim-de-semana.

10.10.2008

Leite com melamina pode ter sido responsável

Três crianças com cálculos renais

Três crianças, com idades compreendidas entre os quatro e os sete anos, estão a ser seguidas nos serviços de Pediatria e de Nefrologia do Centro Hospitalar Conde de São Januário, depois de lhes terem sido detectadas pedras nos rins, durante as análises de despistagem efectuadas aos alunos dos estabelecimentos de ensino de Macau.
Os especialistas admitem que esses cálculos renais possam ter sido causados pela ingestão de leite contaminado com melamina, até porque as três crianças estavam abrangidas pelo "Plano de Leite", tendo consumido uma das marcas distribuídas nos estabelecimentos de ensino locais, pelos Serviços de Educação.
A dimensão dos cálculos renais é reduzida, de acordo com uma comunicado da Direcção dos Serviços de Saúde, o que excluiu a necessidade de uma intervenção cirúrgica, tendo sido adoptadas as medidas terapêuticas consideradas necessárias.
No entanto, como salienta a nota da DSS, Macau dispões dos meios necessários para tratar este tipo de casos, incluindo eventuais intervenções cirúrgicas.
A detecção dos cálculos renais, nas três crianças em causa, foi feita na sequência das análises de despistagem que abrangeram mais de 10 mil alunos dos estabelecimentos de ensino locais.

Autoridades chinesas revelam novo balanço

Casos triplicam

O número oficial de crianças hospitalizadas na China depois de terem ingerido leite contaminado com melamina chega a 47.000, anunciaram ontem as autoridades sanitárias chinesas.
No total, 10.666 crianças ainda permanecem internados depois de consumir essa substância tóxica, enquanto que 36.144 receberam alta. Aqueles números são três vezes superiores aos anteriormente revelados pelo ministério chinês da Saúde.
Na véspera, o governo chinês tinha-se negado a fornecer um novo balanço das vítimas da melamina, mantendo os dados de 21 de Setembro que falavam de 53.000 crianças intoxicadas, cerca de 10 mil quais tinham necessitado de tratamento hospital e quatro bébés mortos.

Outro alarme

Um medicamento injectável, feito à base de ginseng, provocou a morte a três pessoas, de acordo com a agência Xinhua. As autoridades procederam à recolha daquele produto, fabricado na província de Heilongjiang e utilizado em pessoas com problemas de fígado e rins. As vendas do produto foram suspensas, nas províncias de Heilongjiang e Yunan, as únicas regiões do país onde foram registados casos de reacção ao medicamento injectável.

Proprietários contestam prazo para a retirada de embarcações

IDM quer barcos fora do Clube Naval

O Instituto de Desporto decidiu fazer por obras de reparação no ancoradouro de Cheok Van e deu um prazo de 15 dias para a remoção das embarcações ali recolhidas. Os proprietários queixam-se de não terem sido ouvidos e de não lhes ter sido disponibilizado outro local para guardarem os seus barcos.

Rui Cid

Apesar de ter passado pelo território há mais de 15 dias, as ondas devastadoras do Hagupit ainda se fazem sentir. Na noite de 23 para 24 de Setembro, o mais forte tufão a atingir Macau nos últimos 15 anos deixou um rasto de destruição em vários pontos da cidade, estendendo-se, igualmente às ilhas. Em Coloane, na praia de Cheok Van, o Clube Náutico quase sucumbiu à fúria dos ventos. Várias embarcações ali guardadas foram engolidas pela subida do nível das águas. Umas sofreram danos profundos, outras perderam-se para sempre.
Atendendo aos estragos provocados nas instalações do Clube Náutico de Cheok Van (CNCV), o IDM decidiu encerrar o clube e avançar com obras de recuperação. Uma decisão que os proprietários das embarcações ali sedeadas aplaudem. O problema, dizem, está na forma como o Instituto está a conduzir o processo.
Numa notificação datada de 27 de Setembro, dirigida a todos os proprietários e a que o PONTO FINAL teve acesso, o IDM solicitava a todos os utentes do CNCV que procedessem à remoção de todas as suas embarcações dentro de 15 dias, a contar da data de recepção. Findo esse prazo, prossegue a carta, "as embarcações que permaneçam no local serão removidas, no estado em que se encontram, pelo Instituto de Desporto, para local a definir."
É este ultimato que os proprietários contestam e disso mesmo deram conta ao IDM, através de carta registada. Ao longo de 4 pontos, um grupo de 38 proprietários explica porque não aceita a "posição unilateral" daquele organismo. Para o grupo, o facto de o IDM ter enviado uma notificação para despejo sem, previamente, ter auscultado qualquer proprietário, demonstra, só por si, "má fé e uma atitude pouco conciliadora".
Na carta que o PONTO FINAL teve oportunidade de ler, o grupo avisa não pretende, retirar qualquer embarcação, quer sejam motas de água ou barcos, "a fim de evitar mais danos e prejuízos eventualmente decorrentes da sua deslocação" até que seja disponibilizado um espaço alternativo onde as embarcações possam ficar recolhidas.




IDM não recua

Com o prazo de 15 a terminar na próxima segunda-feira, o IDM não parece estar muito preocupado com esta situação. É isso, pelo menos, o que se depreende das palavras do vice-presidente do Instituto. Contactado pelo PONTO FINAL, José Tavares, foi lacónico: "Se os proprietários não retirarem as embarcações até ao final do prazo estipulado, o IDM tomará esse procedimento pelas próprias mãos", afirmou, recusando-se ainda se a revelar para que local serão os barcos transportados:"Quando o prazo terminar, todos serão informados."
O vice presidente do Instituto manteve o mesmo registo quando, perante aquela resposta, o PONTO FINAL quis saber se o IDM iria disponibilizar um espaço alternativo para os proprietários guardarem as suas embarcações, ou prestar qualquer de qualquer tipo de auxilio caso algum proprietário queira retirar a suas embarcações antes de segunda-feira: "Essa é uma responsabilidade dos proprietários".
Ainda assim, e perante a insistência do nosso jornal, José Tavares afirmou que, ao enviar a notificação, o objectivo do IDM era que os proprietários "se inteirassem do estado das suas embarcações, para, depois, não acusarem o IDM de as ter danificado ainda mais durante o transporte".
Justificando a máxima urgência trabalhos de limpeza e reconstrução das infra-estruturas do CNCV com motivos de higiene e segurança pública, José Tavares adiantou que o IDM irá registar fotograficamente o estado das embarcações, antes de proceder aos transporte."

Luta

Ao PONTO FINAL, um dos proprietários que pediu para não ser identificado, explicou que o grupo ainda acredita poder reunir com IDM - desejo expressado na carta enviada para o instituto - e assim encontrar uma solução que agrade a todas as partes. Caso isso não aconteça, o grupo está preparado para lutar com todas as forças.
"O IDM não tem o direito de remover os barcos sem nossa autorização e só a iremos dar quando tivermos a garantia que irá haver um espaço alternativo e que o nosso direito a ancorar as embarcações no Clube Náutico quando as obras de reconstrução estiverem terminadas, se manterá. Vamos lutar até às últimas consequências."

Secretário para a Economia e Finanças fala em estabilidade na indústria do jogo

Tam na cidade do optimismo

Os casinos em funcionamento em Macau não deverão ter problemas de sobrevivência, pelo menos durante os próximos meses. O sector está optimista, garante Francis Tam, que refuta que a nova política de importação de mão-de-obra possa ser um problema.

Isabel Castro

As receitas da indústria principal de Macau deverão manter-se estáveis ao longo dos próximos meses. A convicção é de Francis Tam, secretário para a Economia e Finanças, que assim comentou os números alcançados no mês passado pelo sector. Pela primeira vez desde a liberalização da indústria do jogo, em Setembro houve uma quebra de entre 3,5 a quatro por cento face ao mesmo mês de 2007, com as receitas a fixarem-se nos 6,9 milhões de patacas, segundo números provisórios avançados pela Agência Lusa.
“Pensamos que as receitas vão estabilizar neste nível, ou seja, à volta dos sete mil milhões”, explicou o governante. “Ficarão neste valor até ao primeiro trimestre do próximo ano”, disse ainda. E para os outros meses de 2009, quais são as previsões do Executivo? “Depois disso vamos ver”, disse, sem mais.
O secretário para a Economia e Finanças acredita que os sete mil milhões bastam para manter de portas abertas os casinos que actualmente a cidade tem. “Há alguns casinos ainda em construção, mas a nossa política de contenção já foi tornada pública. Não haverá uma expansão de casinos a breve trecho”, reiterou.
“O próximo casino será o Arco, mas depois haverá um certo período de tempo até à abertura do seguinte.” Certo é que, pelo que diz Tam, “não haverá inaugurações de casinos todos os meses ou em todos os trimestres”. E assim sendo, não há razão para que as salas de jogo em funcionamento neste momento não possam “sobreviver”. O governante diz que, até agora, “estão todos optimistas”.
Francis Tam acredita também que a nova política relativa aos recursos humanos “não será um problema” para os casinos existentes nem para os poucos que ainda não começaram a operar. No final da semana passada, o secretário anunciou medidas que vão resultar na diminuição da importação de mão-de-obra. Esta opção política visa três sectores, entre eles o do jogo.
As declarações do governante foram feitas à margem da cerimónia de entrega de prémios do concurso de desenho conceptual do pavilhão de Macau para a Expo 2010 e do concurso fotográfico e de recolha de fotografias “Lanterna do Coelhinho à Expo”. Foi Tam que entregou o prémio à equipa de arquitectos liderada por Carlos Marreiros, o vencedor do concurso para a concepção do pavilhão de Macau na exposição internacional de Xangai.

Ligações directas China-Taiwan afectam território

Macau com menos passageiros

O início dos voos directos entre Taiwan e a China está a afectar os resultados do aeroporto internacional de Macau, que encerrou Setembro a perder 13 por cento dos passageiros face ao mês homólogo de 2007.
Dados divulgados pela ADA, empresa que administra o aeroporto, indicam que em Setembro utilizaram o aeroporto 379.908 pessoas e que foram operados 3.752 movimentos de aterragem e descolagem, números que traduzem quebras homólogas de, respectivamente, 13 e 7,0 por cento.
As quebras verificadas reflectem o comportamento do mercado de Taiwan que, de acordo com dados a que a agência Lusa teve acesso, em Setembro de 2007 foi responsável por cerca de 1.840 movimentos no aeroporto de Macau, gerando a sua utilização por cerca de 220.000 pessoas, entre chegadas e partidas.
Já em 2008, os mesmos dados indicam que Setembro apresenta um comportamento bastante diferente com apenas 1.300 movimentos e a contabilização de 153.950 passageiros, ou seja, menos cerca de 540 movimentos de aterragem e descolagem e menos 66.050 passageiros oriundos ou com destino àquele mercado.
Os voos directos entre Taiwan e a China, em regime charter e apenas entre sexta e segunda-feira, tiveram início em Julho deste ano, no âmbito da nova política de Taipé de aproximação a Pequim.

Perdas significativas

No âmbito dos dados do terceiro trimestre, as perdas para Macau são ainda mais significativas já que entre Julho e Setembro de 2007, foram registados cerca de 687.350 passageiros oriundos ou com Taiwan como destino e 5.680 movimentos, enquanto que no mesmo período de 2008 os números desciam para 499.550 passageiros e apenas 4.050 voos, uma diminuição de 187.800 passageiros e de 1.630 movimentos.
Até Julho, Macau funcionou como uma das três principais plataformas para os passageiros de Taiwan que pretendiam chegar ao continente chinês ou em sentido contrário, mas o início dos voos directos provocou uma quebra significativa da procura.
Com o novo cenário dos voos directos entre Taiwan e a China, que até Dezembro deverão passar a diários em regime charter e em meados de 2009 a voos regulares, as previsões para o aeroporto de Macau indicam para 2008 uma meta ligeiramente superior a cinco milhões de passageiros. Em 2007, o aeroporto de Macau foi utilizado por 5,5 milhões de pessoas.

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